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11 de Junho de 2012 • 16:08
Rabanea, apesar de paulistano, construiu sua carreira no mercado europeu. Crédito: Diego Bianchi
A participação brasileira no júri de Direct Lions não se resume a Carlos Domingos (sócio da Age Isobar). Andre Rabanea, sócio e diretor de criação da Torke, também fará parte do grupo que irá julgar as peças da categoria, representando o mercado de Portugal.
Rabanea, apesar de paulistano, construiu sua carreira no mercado europeu. Em dezembro de 2011, ele trouxe sua agência ao Brasil, por meio de sociedade com Saint´Clair de Vasconcellos, presidente da Contexto. Desde então, divide seu tempo entre Brasil e Portugal.
Com seu conhecimento sobre os dois mercados, ele fala nesta entrevista sobre suas expectativas para o rendimentos dos países em Cannes, reflete sobre a crise no Velho Continente, e garante: “O Brasil tem quantidade e qualidade”.
Meio&Mensagem ›› Você é brasileiro e representa Portugal em Direct. Qual sua expectativa para o desempenho dos dois países em Cannes?
Andre Rabanea ›› Tenho acompanhado a área de Direct desde que virei presidente dos jurados no festival do Clube de Criativos de Portugal. Se você for analisar primeiro o histórico dos dois paises em Cannes, em 2008 nem Portugal nem Brasil levaram para casa um Leão. Já em 2009, a Leo Burnett acabou colocando Portugal no mapa de Cannes com 2 pratas em Direct. Em 2010, o Brasil trouxe pra casa 3 pratas e 3 bronzes e, em 2011, 1 ouro, 3 pratas e 2 bronzes. Por isso, dá pra ver uma tendencia de melhoria na área de Direct pelo brasil. Mas minha expectativa é baixa referente a Portugal, que passa por uma crise. Isso significou um baixo número de inscrições, ao contrário do Brasil. Se for para dar uma de Mãe Dináh, acho que o Brasil leva 1 ouro, 4 pratas e 3 bronzes. E Portugal acho que deve levar 1 prata. De preferência com o trabalho “Forretas”, da Torke. Pelo menos eu tenho que acreditar (risos)!
M&M ›› Quais são as principais diferenças no mercado de marketing direto de Brasil e Portugal? Qual dos dois países está mais alinhado com o que é feito internacionalmente?
Rabanea ›› Sempre falei e repito: Portugal tem muita qualidade mas pouca quantidade. O Brasil tem qualidade e muita quantidade. Isso para um festival como Cannes faz muita diferença, infelizmente. A condição de investir na mesma peça em várias categorias e ter verba para tentar todas as áreas possíveis faz com que alguma coisinha apareça, se cair nos olhos de algum jurado e ele gostar. Eu morei muito tempo fora do Brasil e passo todos os anos por Estados Unidos e Turquia. E vejo a criatividade pelo mundo. O Brasil tem uma forma unica de pensar no mundo. Voce olha a Archive e sabe sem ler a legenda que aquela peça é brasileira. Já os portugueses estão já homogeinizados com o resto do mundo. Às vezes eu nao sei se é bom estar alinhado ou nao. Para ser muito diferente e inovar é preciso quebrar todos os paradigmas e acho que o Brasil precisa ainda evoluir em diferenciação. Por exemplo, voce não vê o Brasil ganhando Titanium Lions.
M&M ›› A crise financeira na Europa tem afetado as agências portuguesas? Se sim, em que escala? É uma crise muito grave?
Rabanea ›› Infelizmente sim. E numa escala grande. A Torke é uma das que sofre menos, não porque somos melhores, mas porque desde o começo soubemos lidar com orçamentos mais apertados e buscar soluções diferenciadas para gerar mais boca a boca possível. No meio desta crise, conseguimos ser a agencia do ano em Direct no País e a 3ª maior premiada no meio dos tubarões todos (segundo ranking do Clube de Criativos de Portugal). Muitas agências estão fechando ou fundindo operações para manter-se vivas. O desemprego jovem é muito alto e muitos portugueses migram para o Brasil a procura de uma oportunidade. Posso dizer que, em meus oito anos de Portugal, não houve uma crise como essa.
M&M ›› Quais ao seu ver são as principais tendências de trabalhos em Direct? O que fará a diferença em termos de inovação neste ano em Cannes?
Rabanea ›› Não chamo de tendência, mas este ano acho que vão ter destaque ações de integração com redes sociais, como Google, Facebook, Twitter, Foursquare e Instagram. O que vai dar Ouro e Grand Prix imagino que venha da mistura de offline com redes sociais. Ou uma ação que levou as pessoas do Facebook para as ruas. Outra questão que quero colocar se refere ao Mobile. O que é Mobile? Para mim, é apenas um aparelho eletrônico. Você não faz algo mobile, na minha opinião. Você pode fazer algo dentro de uma rede social, que é vista no mobile. Se não daqui a pouco vamos ter a categoria “computador”, ou “iPad”.
M&M ›› Como está a operação brasileira da Torke e quais são os planos para 2012 em termos de receitas?
Rabanea ›› Começamos a operar no inicio deste ano, abordando alguns clientes que já eram da Torke. Seis meses depois, sem ter vindo com nenhum cliente já armado, estamos com 10 pessoas na equipe e com trabalhos feitos já para Heineken, Schincariol, Discovery Channel e Governo do Estado de São Paulo. E, em breve, anunciaremos um cliente na area automotiva muito importante para Torke. Acho que até o fim do ano já estaremos mais estabilizados e com uma equipe de 20 pessoas trabalhando poucos e bons clientes.