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"Em festivais, rola muita propaganda fantasma"

O ator e humorista Fernando Caruso, de 30 anos, acumula mais de 15 peças em seu currículo, incluindo o sucesso Z.É. – Zenas Improvisadas, ganhador de um Prêmio Shell de Teatro em 2004 e que volta aos palcos em abril, no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro. Filho do cartunista Chico Caruso, formou-se em Publicidade, mas fez apenas um estágio na área, optando pela carreira artística. Para ele, os conceitos que aprendeu na faculdade foram fundamentais para o sucesso de sua primeira peça autoral e, apesar da pouca experiência na área, sempre gostou de acompanhar a qualidade da criação brasileira.

02 de Abril de 2012 08:00

Meio & Mensagem — Você se formou em Publicidade e chegou a trabalhar na Contemporânea. Como virou ator?

Fernando Caruso — Eu faço teatro desde os 12 anos e fiz minha primeira peça aos 14. Paralelamente à faculdade, sempre estive em cartaz com uma peça ou outra. Meu período na Contemporânea culminou exatamente com a estreia do meu espetáculo de improvisação, Z.É. – Zenas Improvisadas. Acho que o sucesso da peça se deu porque eu esperava, justamente, que fosse um fracasso. Fiz tudo para tentar burlar o fracasso iminente: coloquei um ingresso barato, fiz uma estrutura que nunca se repetia – tinha sempre um professor, um ator convidado e uma sequência de abertura diferente. Assim, mesmo quem tivesse visto a peça, poderia vê-la novamente. Se a pessoa gostasse, voltaria porque veria algo diferente; e se achasse uma m..., voltaria também porque seria diferente.

M&M — Sua formação de publicitário interferiu de alguma forma na sua carreira de ator?

Caruso — É até engraçado, porque na publicidade eu não sou tão “Sapo de Fora” assim. O conceito do espetáculo Z.É – Zenas Improvisadas foi focado no que aprendi nas aulas de publicidade e mar¬keting. Estava inseguro querendo aplicar os conceitos que aprendi, mas não eram utilizados no teatro. Liguei para uma professora — mestre e minha orientadora da vida — para perguntar se seguia o caminho correto e foi ela quem confirmou o que eu pensava: diminuir o valor do ingresso poderia diminuir o lucro imediato, mas seria bom para ganhar mais em longo prazo. Ninguém usava isso na época, as pessoas¬ queriam agregar no valor do ingresso o que tinham gasto antes. Por isso só se encontrava ingresso caro, o que tornava as peças inacessíveis. As pessoas escolhiam muito antes de ir ou não a uma peça. Com o ingresso barato, as pessoas¬ iam e voltavam, faziam o boca a boca. Também tínhamos uma programação visual diferente, com uma logomarca forte, que era sempre a mesma, mas com um visual em torno dela que brincava com a marca e mudava a cada temporada. Outra coisa que fiz foi agregar valor à filipeta. Queria colocar o ingresso a R$ 5,00, mas com a carteira de estudante ele sairia por R$ 2,50. Por conta disso, coloquei a R$ 5,00 com filipeta, o que fazia com que todo mundo a guardasse, até porque ela também era engraçadinha.

M&M — Como surgiu o stand-up comedy na sua carreira?

Caruso — Sempre fui muito fã do gênero, tinha vários DVDs, gostava de ver os americanos fazendo. Um dia surgiu um buraco de pauta no festival de humor do Teatro Laura Alvim que a minha mãe estava organizando e ela me chamou para montar um espetáculo. Na semana seguinte, calhava de ser meu aniversário e criei um solo de stand-up chamado Parabéns para Mim, com elementos e texto que uso até hoje. Ouvia que o gênero não tinha chance de fazer sucesso, que as pessoas são ligadas a personagens e que para dar certo eu teria que colocar perucas; se não, não funcionava. Mas eu queria testar na prática, ver como as piadas funcionavam puras, sem subterfúgios. Independentemente de gostar ou não, ninguém sentiu falta de peruca. Em seguida, o Claudio Torres Gonzaga estava reformulando o Comédia em Pé e me chamou para fazer parte desta formação. Estou até hoje, já faz seis anos. Aí começou a implementação e o fortalecimento do segmento no Brasil.

M&M — Você deixou a publicidade, mas já participou de campanhas como ator. Quais?

Caruso — Fiz uma campanha para a Embratel, com outdoor e dois filmes publicitários (ação criada pela Talent).

M&M — O que acha da publicidade brasileira?

Caruso — Acho excelente. Quando estava estudando Publicidade na faculdade, adorava ir aos festivais e achava a nossa propaganda bem inventiva e criativa, que ficava pau a pau com a publicidade de outros países. Mas já ouvi dizer que em festivais rola muita propaganda fantasma. Realmente, vi coisas radicais e arriscadas, como uma campanha de uma rádio gay que mostrava um pênis cantando – o pênis era a cara e a uretra a boca, que começava a cantar. Algo assim nunca poderia passar em nenhum canal, mesmo da TV fechada.

M&M — Pode citar um bom comercial e um ruim de que se lembre?

Caruso — Lembro muito dos comerciais da minha infância, daqueles clássicos que pareciam quase um curta-metragem, como o filme do primeiro sutiã, da W/Brasil. Lembro também de toda campanha do “Compre Baton” e de todos comerciais da Bombril. Agora tenho achado muito divertido nos comerciais, de modo geral, ver os colegas comediantes, meus amiguinhos, participando.

M&M — Quais são seus projetos para 2012?

Caruso — Tenho o projeto de um programa novo para o Multishow, mas ainda é cedo para falar. Também estou dando aula no Tablado, como professor integral, além de ter um workshop no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea. No teatro, estou com o Comédia em Pé e em abril volto com o Z.É. – Zenas Improvisadas. Tem ainda um prêmio de humor do Multishow, que irá ao ar em maio e envolverá pessoas do Brasil inteiro. A ideia é buscar novos talentos, atuantes ou não na área, mas que ainda não tiveram grande expressividade midiática. Além destes trabalhos, tem ainda a terceira temporada do De Cara Limpa (programa do canal Multishow em que Fernando Caruso tem como missão alegrar os lugares da cidade que deixam as pessoas estressadas e tensas).

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