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20 de Agosto de 2012 • 10:50
A Unilever adotou um posicionamento que coloca a revolução digital como um importante pilar nas estratégias da companhia, a segunda maior anunciante do mundo – dona de um budget global de US$ 6,6 bilhões, segundo o estudo 100 Largest Global Marketers, de Advertising Age. Trata-se de “chegar ao futuro primeiro”, como ressalta Keith Weed, CMO global da corporação, em entrevista ao Meio & Mensagem. O caminho para atingir esse objetivo está no forte investimento que a Unilever faz no digital: ela dobrou os investimentos que fazia nessa área nos últimos anos.
A aposta da corporação se configura não somente pelo aporte financeiro, como também pelo esforço em treinar e capacitar os profissionais da empresa. Para isso, a companhia conta inclusive com um board com experts em tecnologia para auxiliá-los nas discussões de tendências nessa área. Uma de suas ações mais recentes é o projeto Waterworks, de doação feitas via Facebook para beneficiar famílias que sofrem com o problema de abastecimento de água saudável (para isso são entregues o purificador Pureit, da Unilever, que vem equipado com sachê para combater bactérias e pesticidas, entre outros agentes danosos à saúde). A iniciativa foi lançada no Festival de Cannes. No Brasil – onde a Unilever atingiu faturamento bruto de R$ 12,1 bilhões em 2011 (globalmente foram 46,5 bilhões de euros) -, o projeto ainda não está estabelecido.
Confira no vídeo as tendências que a Unilever vê para o digital. E mais abaixo trechos da entrevista publicada na edição 1523 de Meio & Mensagem, de 20 de agosto.
Keith Weed, CMO global da Unilever, fala de futuro, mobile e conteúdo Crédito: TV Meio & Mensagem
Meio & Mensagem ›› O que é preciso desenvolver para enfrentar o cenário que temos atualmente?
Keith Weed ›› O profissional de marketing tem de acompanhar o que está na cabeça do consumidor. E nós temos de chegar ao futuro primeiro. Temos de desenvolver usos criativos da mídia. Quando comecei no marketing, o plano de mídia caberia em uma página. Você colocava dinheiro em impresso, TV, um pouco em cinema e assim faria. Agora o plano de mídia é como um livro. É incrível. Porque você tem também social, mobile e outros, sem deixar de fazer TV, cinema, etc. É um processo bem mais difícil. A Unilever tem como estratégia investir no global e no local. No global, nós podemos criar grandes plataformas, usando Facebook – ou o Orkut ou outra rede social – para engajar pessoas. Mas também precisamos investir na nossa base no país. Temos de garantir que nossos profissionais tenham condições e capacidade de serem criativos na mídia local.
M&M ›› Como o digital vem ganhando importância para a companhia?
Weed ›› Nos últimos dois anos nós dobramos os investimentos globais em digital. Por que isso é tão importante? Como eu disse antes, a internet é a invenção que mudou nossas vidas. Da mesma forma que as pessoas nos conhecem pelo espaço da TV, quero que nos conheçam pelo espaço digital. Somos o segundo maior anunciante do mundo. E queremos ter certeza de que estamos investindo bem nosso dinheiro em mídia. Queremos engajar de uma maneira completamente nova. Disse que estes tempos são excitantes para o marketing. Porque temos inovação como nunca antes. No mobile, estamos apenas começando, mas vamos fazer grandes coisas nessa plataforma.
M&M ›› Vocês criaram este ano o Digital Advisory Board.
Weed ›› Temos grandes nomes e mentes nesse board, como um ex-CMO da Microsoft. Eles desafiam nossas estratégias, nossas direções. Está sendo incrivelmente útil. Ninguém pode dizer que sabe tudo a respeito de digital. Porque isso muda muito rapidamente. O que fazemos não se trata unicamente de crescer, de ter uma maior participação de mercado. Nós queremos chegar ao futuro primeiro. Nós precisamos estar no mobile, que terá um consumo interativo massivo. Nós precisamos estar nessas plataformas cedo. Nós já aprendemos muito. Mas há mais a fazer. Quando o mobile crescer, quero ter uma das melhores estruturas de marketing para esses aparelhos. Nós assumimos os riscos de começar primeiro. Sou um grande fã de inovação na mídia. Construímos uma importante parceria com o Facebook. Estou no conselho global da rede. E anunciamos em Cannes uma grande inovação que envolveu o Facebook.
M&M ›› Esse projeto surgiu de que forma?
Weed ›› O que temos é a combinação entre o desafio que temos em relação ao meio ambiente, a mudança do mundo para uma economia de crescimento rápido para os países emergentes e a revolução digital (temas que estão compreendidos no posicionamento global da Unilever). Nós trabalhamos com o Facebook no primeiro canal de doação (feito para a rede de Mark Zuckerberg). Temos um negócio na área de água, o Pureit. É um purificador que usa um sachê para limpar a água de torneira, de rio, lago. Por meio da Unilever Foundation fizemos uma parceria com a PSI, uma ONG. Eles vão para pequenas cidades para treinar pessoas e explicar a importância de beber água boa e segura. A maior causa de mortalidade no mundo são doenças provocadas pela má conservação da água. São males como cólera e diarreia. A PSI faz esse trabalho de educação. Nós damos purificadores por meio da doação das pessoas no Facebook. Isso acontece pela rede. Você entra na página do projeto (Waterworks), faz doação de dinheiro, como dez centavos de libra, e depois vê a família que foi beneficiada. Você pode compartilhar com sua família os resultados da doação. Não estamos ganhando dinheiro com isso. Fazemos isso porque queremos ter um impacto significativo no consumo de água saudável.
M&M ›› Mas esse projeto nasceu do time de marketing da Unilever junto com o Facebook? Houve alguma agência no meio?
Weed ›› Nós temos parcerias diretas com empresas digitais como Facebook, Google, Microsoft e Apple. Trabalhamos diretamente com eles. Falando do projeto, um dos nossos compromissos do Unilever Sustainable Living Plan é levar água boa para o consumo de 500 milhões de pessoas até 2020. Essa iniciativa é um bom resultado das parcerias com as companhias digitais. O Facebook se dedicou muito a desenvolver o aplicativo. Foi um grande parceiro.