Mobile Media
Eu tenho um iPhone e um Mac Book.
Tinha um Blackberry e um notebook, mas aproveitei que estava mudando algumas coisas na minha vida profissional para experimentar novas plataformas. Isso requer tempo e esforço, mas não deixa de ser um bom exercício mental.
Antes de comprar o iPhone andei visitando uns grupos de discussão sobre o assunto. A opinião mais frequente era a de que o iPhone seria a melhor opção de smartphone para quem não precisa telefonar ou ler e-mails.
Maldade. Dá para telefonar e para ler e-mails. E ele ainda tira fotos e filma bastante bem para um telefone.
A experiência mais frustrante acontece quando tentamos usar o browser para acessar páginas na internet.
Mas não é culpa do aparelho em sí. É conseqüência do fato de que os sites vem sendo construídos partindo do pressuposto de que todos tem banda larga profissional e computadores de ultima geração com tela grande, com raras e honrosas exceções.
Conexão 3G na telinha do smartphone acaba com a paciência de qualquer um que tente o acesso de algo diferente de uma boa e velha página no formato html.
Outro dia instalei o aplicativo para leitura de QR code (aquele código de barras bidimensional) para acessar mais informações sobre um anúncio de uma imobiliária.
O aplicativo funcionou perfeitamente, mas o hotsite do empreendimento não havia sido pensado para visualização num smartphone ! Frustrante.
Sou um fã curioso dos novos gadgets mas, como profissional, fico aflito com a maneira pela qual estão sendo usados como mídia.
A ansiedade de “estar presente” anda gerando um verdadeiro “vaudeville” midiático: os autores estão mais preocupados com a repercussão da ação do que com sua efetividade essencial.
Por um lado, é experimentando que se aprende.
Mas por outro, corremos o risco de desmotivar os usuários e ter que investir para recuperá-los depois.
* Flavio Ferrari está à frente da consultoria Unit 34