Da teoria à prática: os desafios para 2020
Garantir a execução da estratégia já definida é a principal prioridade dos CEOs brasileiros, aponta pesquisa do Grupo Empreenda feita com exclusividade para o Meio & Mensagem
Garantir a execução da estratégia já definida é a principal prioridade dos CEOs brasileiros, aponta pesquisa do Grupo Empreenda feita com exclusividade para o Meio & Mensagem
Fernando Murad
22 de novembro de 2019 - 6h29
Mais da metade dos líderes está com o estado de espírito melhor do que nos últimos 12 meses, indica o levantamento (crédito: Thiago Nori/iStock)
O estado de espírito das lideranças brasileiras para o próximo exercício dá sinais de melhora. Mais da metade (53,3%) está com estado de espírito melhor do que nos últimos 12 meses. O dado é da pesquisa “As Prioridades que Tiram o Sono dos Dirigentes de Empresas no Brasil”, realizada pelo Grupo Empreenda com exclusividade para o Meio & Mensagem. O levantamento entrevistou, por meio de questionário, 105 executivos entre CEOs, presidentes e membros de conselhos de administração.
Já 25,7% da mostra manifestou que o ânimo está muito melhor do que nos últimos 12 meses, e apenas 20% estão com o estado de espírito igual. De acordo com os entrevistados, suas prioridades para o Brasil em 2020 são aceleração da economia (52,4%), redução de gastos com a máquina pública (38,1%), pacto nacional de educação (36,2%), reforma política e investimento em infraestrutura (empatados com 33,3%) e combate à corrupção (31,4%).
Dentro da empresa, garantir a execução da estratégia já definida é a principal prioridade das lideranças empresariais brasileiras, sendo mencionada por 60% dos entrevistados. Aumentar a rentabilidade (46,7% de menções), aumentar as vendas (41,9%), criar uma cultura de inovação na empresa (30,5%) e reduzir custos por meio do aumento de eficiência operacional (28,6%) foram as demais questões mais citadas.
“Poucas lideranças estão conseguindo tracionar o plano estratégico no nível necessário de implementação. Além disso, é possível constatar um vigoroso pragmatismo no campo prático. Ter o aumento de rentabilidade e de vendas entre as prioridades sinaliza um cenário mais positivo para o marketing”, analisa César Souza, fundador e presidente do Grupo Empreenda.
Comunicação
As lideranças brasileiras estão colocando suas fichas no departamento de marketing para garantir o resultado do exercício: 46,7% dos entrevistados pretendem aumentar o orçamento de marketing em 2020, enquanto 42,9% manterão os investimentos no mesmo patamar. Entre aqueles que desejam aumentar a verba, o foco está em redes sociais (36,2%), internet (26,7%) e promoção da marca por meio de eventos (15,2%). Já 20% manterão a configuração dos investimentos.
O modelo de gestão é outro tema de preocupação. Para 56,2% da amostra, faltam muitos ajustes no modelo de gestão das empresas brasileiras para esse novo cenário empresarial. Em relação ao prazo de validade, 60% dos entrevistados afirmam que já estão reinventando o atual modelo de negócios, enquanto 18,1% disseram que o farão em, no máximo, dois a três anos. Para 16,2%, esse prazo é de até cinco anos. “Essa questão é especialmente agravada no momento que vivemos uma era de soluções disruptivas, que destrói negócios da noite para o dia. Na realidade, muitas empresas continuam engessadas e não conseguem mirar o futuro na velocidade exponencial que o mercado exige”, opina o presidente do Grupo Empreenda.
Além da questão do modelo de gestão, 47,6% reconhecem a necessidade de acelerar o processo de transformação digital, e 32,7% afirmam já estar em pleno movimento nesse sentido. “Nesse sentido, temos alguns desafios fundamentais à frente, pois a pesquisa aponta dificuldades das empresas com a transformação digital. A cultura interna é o principal obstáculo. Ademais, ainda existe um pensamento equivocado de que transformação digital é sinônimo de aplicativo ou de automação de processos, quando esse movimento depende muito mais de estabelecer novo modelo mental na forma de pensar e fazer negócios. Não basta criar o Departamento de Inovação para iniciar essa jornada”, ressalta César Souza. A escassez de mão de obra qualificada e a necessidade de capital para investimento foram outros obstáculos citados.
A sucessão nas organizações é outra preocupação: 59% dos entrevistados afirmam não ter sucessor nos próximos 18 meses, enquanto 23,8% dizem ter o sucessor já identificado, mas apenas ele(a) sabe quem seria, e somente 15,2% já têm o nome do sucessor aprovado pelos acionistas ou pelo Conselho de Administração. Os principais atributos desejados para as lideranças visando o Brasil de 2030 incluem ser um líder transformador (49,5%), ser empreendedor, criador de novos negócios (46,7%), ser estrategista (41%), ter inteligência emocional (39%), ser ético (38,1%), ser líder desenvolvedor de novas lideranças (31,4%), integrador (28,6%), com senso de propósito (28,6%) e inovador (26,7%).
Crédito da imagem do alto: Pixabay
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