Assinar

Inflação e efeito Trump: o que esperar da economia brasileira?

Buscar

Inflação e efeito Trump: o que esperar da economia brasileira?

Buscar
Publicidade
Marketing

Inflação e efeito Trump: o que esperar da economia brasileira?

Ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador da Rio Bravo Investimentos, Gustavo Franco pontua que a inflação ainda é uma dor para a população


25 de fevereiro de 2025 - 18h21

Economia

Gustavo Franco apresentou sua visão a respeito do cenário macroeconômico brasileiro para o ano (Crédito: Bárbara Sacchitiello)

Um dos responsáveis pela criação do Plano Real, há mais de 30 anos, e ex-presidente do Banco Central do Brasil, Gustavo Franco esteve no palco da primeira edição do Blue Connections de 2025.

O evento acontece no Blue Note São Paulo e é voltado aos profissionais do Círculo Liderança de Meio & Mensagem. A proposta é uma manhã de apresentação de conteúdo e debates a respeito de assuntos que impactam diretamente a agenda e os trabalhos dos decisores de empresas de comunicação, marketing e mídia.

Sócio-fundador e conselheiro da Rio Bravo Investimentos, Franco compartilhou com os participantes do evento sua visão acerca do cenário econômico brasileiro para o ano de 2025, apontando como a taxa de juros, inflação e até mesmo a política internacional podem impactar o cotidiano de quem tenta fazer negócios no Brasil.

Apesar de confessar ser um otimista, Franco não deixou de pontuar a complexidade do panorama econômico do País e dos desafios que acredita que pesam sobre o Ministério da Fazenda, bem como algumas incertezas políticas que impactam a economia.

Porém, logo de início, ressaltou algo que considera uma vitória recente para o País: a independência do Banco Central da agenda política.

O economista pontuou que a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva foi a primeira da história do País a acontecer em um cenário de Banco Central independente, já que o então líder da autarquia (na época, Roberto Campos Neto) havia sido escolhido na gestão anterior (do presidente Jair Bolsonaro). “Mesmo na eleição mais polarizada e encrencada dos últimos anos, não houve confusão no mercado financeiro. E o novo presidente, Gabriel Galípolo, ficará pelos próximos dois anos do atual mandato presidencial e os dois primeiros do novo governo. Institucionalmente, ter o Banco Central independente da política é algo muito bom”, defendeu.

Efeito Trump nos negócios

Franco também comentou sobre a política internacional, basicamente sobre as medidas de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de taxar produtos importados como forma de fortalecer a indústria norte-americana.

Apesar de achar inusitado que medidas protecionistas sejam tomadas por um presidente republicano – já que, em sua visão, as intenções de fortalecer a indústria local seja uma pauta mais aderente aos democratas -, Franco não vê possíveis impactos para os negócios no Brasil.

Essa aposta se dá pelo fato de que boa parte do comércio internacional acontece no modelo chamado intrafirma, com negociações entre multinacionais e companhias da mesma origem empresarial e o restante é formado por commodities.

E o Brasil, ainda, vive uma situação particular, já que o comércio exterior corresponde a uma parcela mínima do Produto Interno Bruto (PIB). “A despeito de um terço do PIB brasileiro ser gerado por multinacionais, o comércio exterior é uma parcela mínima do PIB do País. Talvez, no futuro, quando as trocas comerciais forem mais em serviço do que em produtos, isso pode começar a mudar. Mas acabamos perdendo o bonde da exportação por conta da ideia de autossuficiência econômica do passado”, analisou.

Os riscos da inflação

Outro questionamento feito ao economista foi a respeito dos impactos da inflação no País, sobretudo para o consumo das famílias.

Nesta semana, o Boletim Focus divulgou que a nova previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 5,65% em 2024. Essa é a 19ª elevação seguida da projeção de inflação no País e, anteriormente, a meta do Banco Central para a inflação anual era de 3%.

Franco comentou que esse tema ainda é algo muito preocupante para a população, tanto pelo histórico de hiperinflação que o Brasil vivenciou quanto pela dificuldade real em ver os preços dos alimentos e dos produtos aumentarem.

“A inflação tem mais efeito sobre a população e no dia a dia das pessoas do que os marqueteiros do governo acham que tem. É algo que causa muita dor na população e que ainda não aprendemos a aferir totalmente no dia a dia. Por mais que a taxa seja considerada pequena, quando analisada em proporção ao reajuste salarial, que também fica pequeno, ela pesa”, comentou.

Ainda assim, o economista não acredita que a inflação será um problema para os negócios e para o País este ano, por conta das políticas do Banco Central e da própria força da instituição monetária do País.

A polarização brasileira

O ex-presidente do Banco Central também comentou sobre a política brasileira, mais especificamente a respeito da polarização que dominou o cenário das últimas eleições.

Pela perspectiva econômica, Franco declarou que uma possível nova disputa eleitoral com personagens novos em disputa, diferentemente de Lula e Bolsonaro, seria o cenário mais agradável para o mercado financeiro. “Acredito que só de mudar o jogo e ver novos personagens representando seus diferentes lados políticos seria mais legal”, pontuou.

Publicidade

Compartilhe

Veja também

  • Gamescom Latam 2025 terá 20 marcas, sendo quatro patrocinadores

    Gamescom Latam 2025 terá 20 marcas, sendo quatro patrocinadores

    Segunda edição do evento terá Banco do Brasil, como patrocinador master, e Claro, Seara e TNT Energy, como patrocinadores

  • Mercado Livre usa BBB e logística para se posicionar como um supermercado

    Mercado Livre usa BBB e logística para se posicionar como um supermercado

    Plataforma de e-commerce vem registrando expansão na categoria, com aumento de 77% das vendas na vertical neste ano em comparação com 2024