Mídia

Nas entrelinhas de Zuckerberg

No TechCrunch, o jeito descolado de Mark é notadamente reconhecido, mas nessa entrevista podemos percebê-lo mais contido, pensando cautelosamente nas frases utilizadas ? qualquer deslize pode valer milhões. leia como foi o bate papo no texto de Rodrigo Fraga

i 13 de setembro de 2012 - 12h21

Por Rodrigo Fraga*

Faltavam duas horas para a entrevista começar e o auditório do TechCrunch já estava lotado. Pessoas se espremiam nas laterais do salão e nas escadas de saída para assistir à primeira aparição pública de Mark Zuckerberg pós-IPO do Facebook.

A entrevista começa às 14h, realizada por Michael Arrington, fundador do TechCrunch e um dos homens mais influentes da internet no mundo. Mark, 28 anos, senta ao seu lado e manda um ‘hi everybody’ aos presentes. Seu jeito descolado é notadamente reconhecido, mas nessa entrevista podemos perceber um Mark Zuckerberg mais contido, pensando cautelosamente nas frases utilizadas – qualquer deslize pode valer milhões.

Por outro lado, ele ainda não perdeu o estilo ‘machine gun’: começou a falar e não parou mais. E, o mais importante, não fugiu das perguntas. O mundo inteiro queria saber sua opinião sobre o IPO, e Michael abriu a entrevista tratando justamente disso. Enquanto formulava a pergunta sobre o IPO, o público se atiçou e Mark não ficou em cima do muro: ‘ok, vamos pra dentro disso!’.

Mark diz-se desapontado com o valor da ações do Facebook e, com maturidade, indica que esse não é o primeiro sobe-e-desce da empresa. A exposição que a companhia ganhou nos últimos anos fez com que questões de pouca relevância e especulações sobre o futuro da rede social se tornassem mais frequentes, atrapalhando o curso normal de evolução da empresa.

O jovem empresário está no posto ideal para o momento de vida do Facebook. Ele é um líder nato, uma referência inspiradora e aberta para seus funcionários – ainda é possível vê-lo no meio dos programadores arriscando algumas linhas de código. Uma das regras principais do Facebook é garantir que os desenvolvedores estejam programando coisas aderentes ao seu estilo de vida, features que eles acreditam que seus amigos e sua família usarão. Essas premissas mantêm a paixão e o comprometimento das pessoas que trabalham em um dos maiores negócios do mundo, como se fosse uma empresa de garagem.

Um dos pontos altos da entrevista, principalmente para os profissionais de marketing presentes, foi a declaração de que o Facebook está trabalhando para daqui a três ou cinco anos migrar de web para mobile advertising. Está claro para o pessoal do Vale do Silício que o mercado de mobile monetization tem espaço de sobra para crescer e gerar lucros muito mais efetivos que a web. O fato de o Facebook estar apontando seus canhões para essa tendência abrirá caminhos para se trabalhar novos formatos de mídia.

Em relação ao tão especulado Facebook Phone, Mark foi categórico mais de uma vez ao dizer que um smartphone próprio não faz o menor sentido. A direção é contrária: tornar o Facebook a principal camada social de qualquer dispositivo. Essa é a visão dele para a evolução da rede: um produto móvel que todos amem e que permita aos anunciantes formatos diferenciados para alcançá-los por meio dos dispositivos que o público não larga por nada.

E, por fim, orelhas em pé e atentas para um movimento interessante: o Facebook está construindo uma search engine. O mercado do core business do Google pode ser um dos caminhos para o Facebook gerar mais retorno financeiro, um lugar comprovadamente eficaz para anunciar propaganda. Mark confirma esse movimento e ratifica o reposicionamento do Facebook Ads, contestado recentemente por sua eficácia.

Mark saiu-se tão bem que logo após a entrevista que as ações do Facebook subiram 7,7%. "They’re back on track", ouviu-se do lado de fora.

*Rodrigo Fraga é Gerente de Planejamento do Grupo TV1 em Brasília e está cobrindo o TechCrunch Disrupt 2012, direto de São Francisco (Califórnia), com exclusividade para o Meio & Mensagem.