Fuce no celular dos seus filhos
Se tivesse a chance de subir no palco principal do SXSW e falar apenas uma frase para ajudar os participantes a viajarem no tempo, diria a que intitula este artigo
Se tivesse a chance de subir no palco principal do SXSW e falar apenas uma frase para ajudar os participantes a viajarem no tempo, diria a que intitula este artigo
Crédito: Blurryme/Shutterstock
Semanas atrás, uma grande caravana de dois mil brasileiros invadiu a cidade de Austin e formou a maior delegação internacional do SXSW.
Eu não fui. E morri de inveja (exagero dramático para o texto ficar mais legal).
Ter encontrado os amigos que foram, ter visto pessoalmente alguns ícones mundiais e ter respirado aquele ar inovador teria sido muito legal. Mas não foi por isso que eu tive dor de cotovelo. Meu maior incômodo é o de não estar sabendo o que os participantes agora devem saber.
Será que a Amy Webb contou o que vai acontecer com o meu cliente? A apresentação da Disney tinha um slide que revelava tudo sobre o meu mercado? Ou será que eles já viram a nova versão da inteligência artificial que vai roubar o meu trabalho?
A maioria dos leitores deste texto também não foi ao festival. Bem-vindos ao clube dos desinformados. Brincadeiras à parte, trago boas notícias: praticamente todo o conteúdo que foi apresentado no evento está disponível na internet. Também há muitas opções de encontros para escutar resumos rolando por aí. Por aqui, vou tentar estudar da minha forma preferida: aprendendo com quem aprendeu… e, conversando com quem esteve lá, percebi que o maior benefício de participar de um evento assim é justamente a oportunidade de se sentir provocado a pensar no futuro. E é bem aqui que o nosso voo que nunca rolou para o Texas faz uma escala: Você investe tempo imaginando como será o futuro do seu mercado? Você está atento às mudanças que estão acontecendo nos seus consumidores? Você realmente entende o que o público que vai representar a maior parte do seu consumo daqui a alguns anos espera da sua marca?
A capacidade de prever o futuro não está na nossa lista de dons naturais. E ir a uma palestra está longe de ser a única forma de antever cenários. É possível observar sinais, tendências e comportamentos que indicam claramente para onde a coisa vai.
Se alguém me desse a chance de subir no palco principal do SXSW e falar apenas uma frase para ajudar os participantes a viajarem no tempo, eu gritaria essa: “FUCE NO CELULAR DOS SEUS FILHOS.”
Isso mesmo. Mexa no celular dos seus filhos e observe tudo: Que apps eles instalaram? Quais estão na primeira tela? Que músicas estão ouvindo? Como estão se comunicando no WhatsApp? Que hashtags eles seguem nas redes sociais? Quais foram os últimos vídeos que assistiram no YouTube? O que tem no álbum de fotos? Foque no que você não conhece e pergunte tudo.
Eu sei que essa missão não é fácil e não estou sugerindo que você invada a privacidade de um adolescente. Mas se eles toparem te mostrar as coisas, vai valer mais que uma aula de marketing. E quem sabe também te ajude até na função de pai ou mãe. Não porque vai começar um interrogatório, mas porque vocês vão encontrar mais assuntos e interesses em comum para conversar — o que, aliás, é o que o consumidor também espera da sua marca.
A maneira mais fácil de imaginar como o seu mercado vai estar na próxima década é perceber o que está mudando na vida do seu cliente hoje. São esses os movimentos que mais impactam as indústrias.
Fazer uma viagem para Austin é bem legal. Mas a viagem mais importante é aquela em que a gente visita, agora mesmo, o nosso consumidor do futuro. Está pronto para embarcar?
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