O custo e o valor da produção audiovisual na era das redes sociais
A comunicação digital é limitada pela própria natureza do consumo digital e segue um fluxo incessante de informações que rapidamente se tornam obsoletas
O custo e o valor da produção audiovisual na era das redes sociais
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Nos últimos anos, a comunicação tem sido dominada pelas redes sociais e as plataformas como Instagram, Facebook e X (contamos 59 ao todo, além daquelas que “já morreram”) oferecem vídeos curtos, dinâmicos e altamente segmentados, influenciando o consumo de conteúdo em escala global.
O estudo Digital 2024: Brazil – DataReportal destaca que 144 milhões de brasileiros possuem contas ativas em redes sociais, e as dez plataformas mais utilizadas no país acumulam mais de 825 milhões de usuários. Apesar desse alcance massivo e do engajamento instantâneo, esses conteúdos são efêmeros. A comunicação digital é limitada pela própria natureza do consumo digital e segue um fluxo incessante de informações que rapidamente se tornam obsoletas.
Quando Henry Jenkins publicou o livro Cultura da Convergência, em 2009, definiu o conceito a partir de três eixos: convergência dos meios de comunicação (processo, que se adapta a cada novidade tecnológica), cultura participativa (estratégias que chamam os consumidores para uma ação,) e inteligência coletiva (perceptível em fóruns de discussão ou “tretas” digitais). Isso mudou tudo e os meios tradicionais, como a televisão, enfrentaram uma queda significativa de audiência e assinantes diante do crescimento das plataformas digitais. No entanto, em vez de competir diretamente, grandes empresas adotaram uma estratégia de integração. Assim, surgiu a convergência midiática, onde o conteúdo televisivo é distribuído por redes sociais, serviços de streaming e aplicativos próprios. Esse movimento ampliou o alcance, diversificou as fontes de receita e adaptou as emissoras às novas formas de consumo de informação e entretenimento.
Embora as pessoas passem menos tempo diante da TV, o consumo de seu conteúdo continua crescendo. Um estudo da revista Culturas Midiáticas aponta que a convergência entre televisão e redes sociais criou novas formas de interação. A TV segue relevante ao proporcionar conteúdos que estimulam reflexões mais profundas e discussões qualificadas.
Além disso, a democratização do acesso à tecnologia fez com que qualquer pessoa com um celular se tornasse produtor de conteúdo para redes sociais. Mesmo para empresas profissionais de produção de conteúdo, isso barateia significativamente a realização quando comparado à estrutura necessária para uma produção audiovisual tradicional para TV ou Cinema. Essa facilidade permitiu que um número maior de criadores compartilhasse suas ideias e narrativas, mas também trouxe desafios quanto à qualidade, profundidade e permanência do conteúdo.
Postagens patrocinadas, que podem viralizar rapidamente, desaparecem com a mesma velocidade. Quando a marca está inserida de forma orgânica na produção audiovisual para TV e cinema, é possível gerar narrativas mais elaboradas, aprofundando debates essenciais, como por exemplo os temas da sustentabilidade, mudanças climáticas e a pauta ESG. Quem não assistiu “Uma Verdade Inconveniente” (2006), sobre a campanha do ex-Vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore para educar os cidadãos do mundo acerca do aquecimento global?
Documentários e séries aprofundam questões complexas e geram impacto duradouro. Além da autenticidade da mensagem, eles transmitem credibilidade, algo que muitas campanhas patrocinadas não conseguem alcançar. E para deixar claro que este artigo não é contra a produção digital, os trechos (cortes) dessas produções de TV e cinema podem ser adaptados e disseminados nas redes viralizando, atraindo novos públicos para o conteúdo original completo.
Mesmo que a audiência use bloqueadores de anúncios, a mensagem integrada ao conteúdo ainda consegue atingi-lo de forma eficiente.
Empresas que realmente adotam boas práticas ambientais podem encontrar uma vitrine lícita para suas iniciativas na produção audiovisual que continua sendo uma ferramenta poderosa para marcas que desejam construir narrativas consistentes e autênticas. Em vez de apostar apenas no imediatismo das redes sociais, empresas e criadores que investem em formatos que não apenas informam ou vendem, também transformam a percepção do público sobre desafios e soluções do nosso tempo.
Estudos mostram que consumidores conscientes escolhem melhor e estão dispostos a pagar mais por qualidade e sustentabilidade.
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