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Opinião

The End of the F**king Ad

O consumidor está pagando para não ver o seu anúncio


2 de abril de 2025 - 15h15

Como diria João Grilo, não queria dizer, mas se você quer que eu diga, vou logo lhe dizendo: 75% dos assinantes da Netflix pagam para não ter que ver seus malditos anúncios (sim, é assim que eles os chamam). Ou seja, preferem colocar a mão no bolso do que serem interrompidos por você. Cerca de 40% dos assinantes do Spotify pagam (desculpa, eu sei que vai doer) para não te ouvir. Mais de 100 milhões de pessoas já desembolsam dinheiro para não ter que ver no YouTube – nem por míseros segundos (bárbaros!).

Agora, responde comigo, francamente. Quantas vezes você já odiou (sim, o sentimento, infelizmente, é esse) uma marca que interrompeu o seu pleno momento de entretenimento? Quantas vezes já se sentiu perseguido e invadido por uma propaganda no Instagram? Quantas vezes teve o impulso mortal de quebrar o celular de tanto apertar o botão “pular anúncio”? 

Acho que até aqui você já entendeu onde quero chegar.

– E o que aconteceu com o pessoal do “Pipoca com Guaraná”? Aquele povo que adorava uma “Bonita camisa, Fernandinho”?

Eles continuam aí. Vendo o filme da Barbie. Assistindo a eventos radicais da Red Bull. Curtindo a Eleven amassar uma latinha de Coca-Cola com a mente. Maratonando animações feitas em… Lego.

Sim! Existe propaganda fora da propaganda!     

Mas vamos falar sério sobre branded content. Não, não é isso que chamam (pejorativamente) de conteúdo. Não é um post. Não é um site. Definitivamente, não é um influencer falando de você, interrompendo o próprio canal. Não. Não. Não!

É difícil dizer, mas as pessoas não querem saber do seu produto. Eu sei, é duro ouvir uma coisa dessas. Mas sabe de uma coisa? As pessoas adoram uma boa história. Ainda mais, histórias bem contadas. Vibram ao acompanhar um personagem. Amado ou odiado. E não é de hoje. Há milhares de anos, o público aplaude essa coisa aí, que chamam de storytelling.

Breaking BadGame of ThronesStranger ThingsLa Casa de PapelMeu Malvado FavoritoRound 6. Já estamos na era dos remakes e dos spin-offs. Franquias estão gerando novas propriedades intelectuais e movimentando bilhões de dólares.

Algumas marcas já perceberam o potencial de ter – por que não? – um novo modelo de negócio dentro do próprio negócio. A Mattel, por exemplo, anunciou que pretende investir em 50 novas propriedades intelectuais, entre filmes e séries, nos próximos anos. E o seu CEO foi eleito a Personalidade de Entretenimento do Ano no Cannes Lions. E, cá entre nós, não recebeu esse título interrompendo o entretenimento alheio. Recebeu porque compreendeu o poder (espere por isso…) da narrativa.

Tenho certeza de que, quando você descobrir esse negócio, de verdade, nunca mais vai largar o content. Porque essa é a magia que uma narrativa tem. Que um protagonista tem. 

E, infelizmente, devo dizer: grandes histórias não são contadas em segundos. Nem 30. Muito menos, em três. O poder da narrativa está em conectar a audiência. Envolvê-la na história. Fazer rir. Emocionar. E depois de fisgado, tenha certeza, o público só vai querer mais.

– Por quê? 

Vou logo me explicando com Chicó. Não sei, só sei que foi assim.

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