
Sherpa42
Na Sherpa42, criamos experiências imersivas e conectadas que vão além da publicidade tradicional. Nosso foco é gerar conexões emocionais autênticas entre pessoas e grandes marcas, transformando cada interação em uma jornada memorável.
Somos exploradores por natureza! Assim como os alpinistas contam com sherpas para alcançar o topo do Everest, incorporamos os valores de parceria, confiança e colaboração para guiar nossos clientes rumo aos seus maiores desafios e objetivos.
Let’s Climb Together?
Ainda vale a pena ir ao SXSW?
Publicado em 03/04/2025 (2 dias atrás)
Paulo Baba, Head de Estratégia e Planejamento da Sherpa42.
Como estrategista, designer de experiências e curioso inveterado, me desafio a encarar a vida com o olhar de turista — alguém que descobre pela primeira vez um novo lugar, uma nova experiência, um novo saber. Austin e o SXSW me surpreendem exatamente por isso: são uma jornada contínua de descobertas, sempre rica em detalhes, vivências e temas novos. E mesmo os assuntos que já foram debatidos antes, aparecem aqui renovados, com uma rebeldia criativa que rompe convenções e desafia o status quo. É essa mesma rebeldia que permeia os insights que colecionei ao longo da última edição do festival.
Entre as provocações e reflexões que surgiram, destaco as previsões alarmantes da futurista Amy Webb sobre um futuro dominado pelas big techs e a responsabilidade coletiva de evitar cenários catastróficos. Ao mesmo tempo, presenciei o que quase poderia chamar de resposta do povo: no palco, ao vivo, a CEO da BlueSky, Jay Graber, apresentava uma alternativa aberta e descentralizada para as redes sociais enquanto vestia uma camiseta estampada com a frase “um mundo sem Césares”. Essa dualidade — entre controle e autonomia — representa um dos grandes dilemas contemporâneos e os rumos que a internet pode seguir nos próximos anos.
Do lado mais humano, Peter Attia trouxe um discurso reconfortante sobre longevidade. Sem grandes segredos: o equilíbrio entre bem-estar físico, emocional e social é o caminho. Parece óbvio, mas no contexto atual, onde o bem-estar digital está constantemente ameaçado pela (des)conexão causada pelos dispositivos, faz ainda mais sentido. Ativo física e socialmente, conectado com as pessoas e aquilo que importa — simples na teoria, mas difícil na prática.
Na fronteira da ficção científica que já virou realidade, um passeio de Uber com os carros autônomos da Waymo me fez repensar o papel do carro no cotidiano. E como não falar da Colossal, que planeja de-extinguir animais por meio da biologia sintética? Avanços que encantam tanto quanto assustam, levantando questões éticas e filosóficas sobre os limites da intervenção humana na natureza.
Scott Galloway, com sua precisão cirúrgica, não poupou críticas à crise política e social nos Estados Unidos. Suas reflexões sobre a crise de masculinidade e o surgimento de uma geração de jovens desorientados fizeram eco em meio ao sucesso da série “Adolescência” na Netflix. Em tempos de polarização, ter coragem para falar sobre temas delicados é mais necessário do que nunca.
Por fim, um dos maiores aprendizados que levo deste SXSW é a urgência de quebrar as regras do marketing. Desafiar convenções é vital para não cair na armadilha de ser “esquecível”. Em um mundo de atenção cada vez mais fragmentada, não basta ser novo — é preciso ser interessante de verdade, autêntico e, às vezes, até estranho. Exemplos como a Meow Wolf, com suas experiências imersivas e inesperadas, e a ascensão da Liquid Death mostram que o caminho para capturar o interesse passa pela ousadia criativa.
Apesar do ceticismo que se espalhou pela internet nos dias seguintes ao festival, sinto que o SXSW continua cumprindo seu papel fundamental: ser um catalisador de sinapses improváveis, um ponto de colisão criativa que desperta reflexões com impacto genuíno para pessoas e negócios. É essa estranheza inquietante que me faz voltar sempre, de olhos abertos e mente curiosa — como um turista, descobrindo o novo.