Oscar 2025: Lideranças femininas fazem suas apostas
Mulheres do audiovisual revelam suas escolhas para Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção, Melhor Ator e Melhor Atriz
Oscar 2025: Lideranças femininas fazem suas apostas
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Meio & Mensagem
28 de fevereiro de 2025 - 9h07
Os ânimos para o Oscar 2025 não poderiam estar mais positivos no Brasil. Com o filme Ainda Estou Aqui, indicado em três categorias para a premiação deste ano, o País contabiliza um total de 22 indicações. Se o longa-metragem conseguir levar uma estatueta para casa, será a primeira vez que um filme brasileiro consegue o feito.
A obra de Walter Salles está indicada nas categorias Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz pela atuação de Fernanda Torres. Na verdade, o longa já alcançou um grande marco para o cinema nacional: é a primeira vez que um filme brasileiro concorre na categoria principal de Melhor Filme.
O Oscar 2025 acontece em 2 de março em Los Angeles, com apresentação do comediante e apresentador Conan O’Brien. A cerimônia poderá ser assistida ao vivo na TV Globo, no Globoplay (streaming), TNT (TV por assinatura) e Max (streaming). Para agitar os bolões dos cinéfilos, pedimos para lideranças femininas do audiovisual indicarem suas apostas para as categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção, Melhor Ator e Melhor Atriz.
Comandada por Sabrina, co-fundadora e atual CEO, ao lado dos sócios Ruben e Flavia Feffer, a Elo já distribuiu mais de 500 títulos, incluindo filmes de mais de 1 milhão de espectadores no Brasil. Alguns foram premiados internacionalmente como o longa “Medida Provisória”, de Lázaro Ramos, o filme mais visto em 2022, e “O Menino e o Mundo”, indicado ao Oscar. A executiva conta quais são suas apostas para o Oscar de 2025.
Sabrina Wagon, CEO da Elo Studio (Crédito: Ricardo Keuchgerian)
“A lição de Wicked é o paradoxo do nosso tempo. Estamos vivendo em uma era fascinante para o cinema infantil. Filmes como Wicked, que exploram as histórias por trás de vilões e heróis, nos convidam a olhar além das aparências e abraçar uma visão mais complexa do mundo. Eles nos mostram que a linha entre ‘mocinhos’ e ‘vilões’ é muitas vezes turva, e que as ações — não as etiquetas — são o que definem quem somos.
Essas narrativas têm um poder transformador. Elas ensinam às novas gerações que empatia, contexto e compreensão são fundamentais para interpretar o mundo. A vilã pode ser mal compreendida, o herói pode cometer erros, e o verdadeiro desafio está em tomar decisões conscientes, não em aceitar rótulos.
Por outro lado, no mundo “adulto”, vivemos um contraste doloroso. Em um cenário global marcado por divisões extremas, vemos povos, ideias e pessoas sendo reduzidos a extremos: bons ou maus, ‘nós’ contra ‘eles’. A polarização sufoca o diálogo, inibe a empatia e reforça muros invisíveis – e visíveis.
O que Wicked e outras histórias como ela nos mostram é que precisamos reaprender com as crianças. Elas estão sendo expostas a narrativas que valorizam nuances e questionam verdades absolutas. Talvez, como adultos, devêssemos ouvir mais e rotular menos. Que tal, em 2025, nos inspirarmos nessas histórias e nas futuras gerações para enxergar o mundo com mais compaixão e menos julgamento? Afinal, entender que todos carregam luz e sombra dentro de si é o primeiro passo para construir pontes, e não muros.”
“Essa está fácil. Ainda Estou Aqui merece sem dúvidas o prêmio de melhor filme estrangeiro, não somente pela sua qualidade de direção e atuação, mas pela sua campanha impecável. O filme aborda temas universais como identidade, pertencimento, memória e resistência, temas bastante contemporâneos em um momento em que vemos o mundo dominado por extremismos perigosos.
O filme também se destaca por uma linguagem cinematográfica única, uso criativo da fotografia, montagem e direção de arte. Não poderia deixar de mencionar a performance marcante de Fernanda Torres, que dispensa qualquer explicação.”
“Colman Domingo merece vencer o prêmio de Melhor Ator por sua atuação em Sing Sing devido à profundidade, autenticidade e impacto emocional que trouxe ao papel de John “Divine G”. Sua performance não apenas cativou o público, mas também desafiou as narrativas tradicionais sobre o sistema prisional, oferecendo uma perspectiva humanizada e transformadora. Além disso, o filme inclui vários ex-detentos que participaram do programa de teatro, trazendo autenticidade e profundidade à narrativa. Domingo trabalhou em estreita colaboração com esses atores, demonstrando generosidade e respeito, o que resultou em performances genuínas e impactantes.”
“Filmes como A Substância, que conquistou a crítica em 2024, trazem à tona uma questão urgente: a maneira como tratamos e enxergamos o envelhecimento. Em um mundo obcecado pela juventude, essas histórias questionam o etarismo que ainda permeia tantas narrativas e mostram que os 60 anos (ou mais) não são um fim, mas um convite a novos começos.
Demi Moore merece o Oscar pela sua atuação estupenda, e também pela celebração de sua carreira, que inclui versatilidade e escolhas sempre corajosas. A atriz transitou por diversos gêneros, de suspense e drama à comédia romântica e ação. Com a sua atuação em Ghost, a atriz se consolidou como uma celebridade e, desde então, Demi Moore desafia normas de Hollywood ao se tornar uma das atrizes mais bem pagas dos anos 1990, enfrentando o preconceito da indústria contra mulheres protagonistas em grandes produções.
A arte nos ajuda a imaginar um mundo em que cada idade seja celebrada como um momento único de possibilidades. A Substância, e tantas outras produções, são um lembrete poderoso: não importa quantos anos tenhamos, somos sempre capazes de recomeçar.”
“Brady Corbet, diretor de O Brutalista, merece o Oscar por sua notável contribuição ao cinema com este filme. Com uma abordagem visionária e um domínio técnico impressionante, Corbet entrega uma obra cinematográfica que transcende o entretenimento e se estabelece como um marco artístico e histórico.
Ao longo da temporada de premiações, O Brutalista já recebeu diversos prêmios, consolidando a reputação de Corbet como um dos diretores mais talentosos de sua geração. Seu olhar detalhista e sua capacidade de contar histórias de forma envolvente e visualmente impactante são evidentes em cada cena do filme. A aclamação da crítica e o reconhecimento da indústria demonstram que ele é um forte candidato ao Oscar.
Além do brilhantismo técnico e narrativo, O Brutalista carrega um tema essencial e atemporal: a necessidade de lembrar a história para que ela nunca se repita. A forma como Corbet conduz essa reflexão por meio de sua direção sensível e sofisticada faz do filme não apenas uma experiência cinematográfica inesquecível, mas também um alerta poderoso sobre os ciclos da humanidade.”
Diretora de filmes publicitários, documentais e ficcionais, Ale Pellegrino atua na produtora O2 Filmes desde 2013, dirigiu campanhas publicitárias para grandes marcas como GM, Renault, Fiat, Honda, Itaú, TikTok, McDonald’s, entre outras. Além de sua trajetória na propaganda, ela também liderou outros projetos audiovisuais, como a série documental Facebook Latam Season, que abordou diversidade e inclusão no mercado de trabalho. Na ficção, dirigiu um dos episódios da série Pico da Neblina para a HBO e o curta metragem Lucidez, da série Crônicas da Pandemia.
Sobre suas apostas para a premiação deste ano, Alessandra afirma: “No cinema, além da técnica necessária para contar uma história, a conexão com o público é igualmente essencial. Para mim, as escolhas e apostas nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz e Melhor Ator acontecem porque, de alguma forma, me tocaram”.
Alessandra Pellegrino, diretora na O2 Filmes (Crédito: Divulgação)
“Ainda Estou Aqui se destaca pela forma sensível com que conta uma história real e poderosa. A trajetória de Eunice Paiva é simplesmente arrebatadora. Apesar de retratar um período de extrema violência, sua narrativa é conduzida com delicadeza pelo olhar de Eunice, uma mulher determinada que enfrenta a injustiça com resiliência. É nessa força contida que a direção precisa e a narrativa bem construída envolvem a todos. As lacunas deixadas ao longo da trama de forma intencional permitem que o público sinta o peso das escolhas e injustiças que marcam a vida de Eunice. Ao mesmo tempo, a direção de arte e a fotografia criam uma atmosfera que nos faz sentir íntimos dos personagens. Mais do que um grande filme, Ainda Estou Aqui é uma obra essencial e extremamente relevante para os dias de hoje, por isso é minha aposta para Melhor Filme.”
“Adrien Brody entrega uma atuação poderosa em O Brutalista, dando vida a um personagem complexo e cheio de camadas. No papel de László Tóth, ele transmite com maestria a dor, a resiliência e a ambição do protagonista, de forma sutil e profundamente emocional. Mas é uma pena essa aposta acontecer antes da estreia de Um Completo Desconhecido no Brasil. Queria muito ver Timothée Chalamet brilhando e capturando a essência de Bob Dylan antes de decidir.”
“A atuação de Fernanda Torres é um grande destaque em Ainda Estou Aqui. Ela entrega uma performance intensa e comovente, capturando todas as nuances da personagem com uma interpretação contida, mas profundamente expressiva. Sua presença em cena sustenta a narrativa e dá ao filme a alma que ele precisa para emocionar e impactar. É o tipo de interpretação que fica com a gente muito depois do filme acabar. É minha aposta para melhor atriz.”
“Sean Baker é conhecido por sua forma única de explorar personagens em situações vulneráveis, e em Anora não é diferente. Com uma direção que mistura emoção e autenticidade, ele entrega um filme profundamente impactante, brincando com gêneros, linguagem e tom de um jeito inesperado. Essa abordagem não só dá ao filme uma camada inusitada, mas também amplifica as emoções da protagonista, tornando a experiência incrivelmente envolvente e visceral. Para mim, Sean Baker equilibra tudo isso de forma brilhante, criando uma obra que é ao mesmo tempo sensível e potente. Minha aposta para Melhor Diretor.”
A Conspiração é uma produtora independente premiada e responsável pelos sucessos de bilheteria Vai Que Cola, Eu Tu Eles e 2 Filhos de Francisco, este último escolhido pelo Brasil como representante ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2006. Entre os lançamentos mais recentes estão Fim (Globoplay), Dom (Prime Video), Se Eu Fosse Luisa Sonza (Netflix) e Sob Pressão (Globoplay). Atualmente, a produtora trabalha em títulos como Auto da Compadecida 2, Vitória e Ainda Estou Aqui. A Hysteria é um selo de criação e produção da Conspiração Filmes, que traz o olhar das mulheres e da diversidade para o centro das narrativas.
Sobre suas apostas, Luisa diz: “A premiação do Oscar nesse 2025 será realmente inédita e emocionante. O Brasil concorrendo em três categorias e como melhor filme são feitos inéditos e dignos de nos encher de orgulho. Dito, isso, vamos às minhas apostas”.
Luísa Barbosa, diretora executiva de entretenimento da Conspiração e head da Hysteria (Crédito: Mariana Cobra)
“Minha aposta é para o filme que tem todos os elementos para ser eleito o melhor: Conclave. Cinematografia impecável, roteiro redondo e surpreendente, atuações precisas. Acho que não vai ter para ninguém.”
“Essa categoria está disputadíssima esse ano, com filmes que são realmente obras primas. Apesar de toda polêmica, acho Emília Perez um filme único, original e merecedor de muitos elogios. Mas acredito que Ainda Estou Aqui merece o prêmio da Academia por ter conseguido conquistar e comover todo o mundo ao contar uma história tão brasileira. É um filme impecável em todos os aspectos. The Seed of the Sacred Fig pode surpreender e levar a estatueta, mas vou seguir acreditando no Ainda Estou Aqui até o fim.”
“A categoria está super disputada e com muitos rostos já queridinhos da premiação, mas aposto que o Ralph Fiennes leva. Além de estarmos falando de um ator sensacional (que mulher não suspirou por ele em Paciente Inglês ou Jardineiro Fiel?), ele vem para coroar Conclave, que aponta para ser o preferido da vez da Academia. Ralph entrega uma atuação fantástica e bem construída. A disputa com Adrien Brody, ator impecável e já premiado pelo Oscar, será ferrenha, mas acredito que o Ralph vença essa.”
“Posso estar me deixando levar pelo coração, mas não vou cair no discurso da Nanda tentando baixar as nossas expectativas não, aposto que ela vencerá. A Demi Moore é a grande favorita e o seu trabalho em A Substância é realmente espetacular. Embora o filme não tenha um gênero que me agrade, é impossível não se impressionar com a atuação da Demi. Mesmo assim, acho que a delicadeza, a profundidade, a forma única com que a Fernanda interpreta a Eunice Paiva nos levará ao prêmio.”
“Pela coragem de criar e dirigir uma obra tão original e ousada. Uma mulher entre tantos homens assina talvez o filme mais inusitado de estar na lista dos concorrentes, por se tratar de uma sátira de terror. Apesar disso, acho que o Brady Corbet vence por O Brutalista. Mesmo assim vou jogar para o universo, vai que…”
Com 20 anos de carreira na dramaturgia teatral, desde 2008 trabalha também com audiovisual. Escreveu roteiros para séries como Sessão de Terapia (Globoplay), pelo qual foi indicada a Roteirista do Ano no Prêmio ABRA, De Volta Aos 15 (Netflix), Os Quatro da Candelária (Netflix) e Da Ponte Pra Lá (HBO Max), na qual também foi diretora. Além disso, é uma das diretoras do longa antológico Insubmissas, que estreou no Festival do Rio 2024. Luh aponta seus destaques para a premiação deste ano do Oscar.
Luh Maza, roteirista, diretora e atriz (Crédito: Luciana Zacarias)
“Um grande filme ‘à moda antiga’ no melhor sentido: ótimo roteiro, elenco afinadíssimo e uma direção que não quer aparecer mais do que a história.”
“Não sei se a Academia está pronta para premiar nossa Fernanda Torres, mas acho inescapável que esse prêmio venha para o Brasil pela força e qualidade.”
“Acho que ele se favorece pelo tempo de tela, literalmente, que o permite grandes variações emocionais ao longo da jornada de seu personagem.”
“Acredito que Hollywood homenageará aquela que é uma síntese da história dessa indústria que ocupa a cidade e sofreu há pouco com as chamas.”
“Com a desidratação de Emília Perez, acredito que o diretor de Anora seja o representante da estética contemporânea que a Academia premiará.”
Thatiane Almeida, ou Sabothati, como também é conhecida, é diretora de cena na MAGMA, produtora audiovisual brasileira fundada pelo diretor e fotógrafo Manuel Nogueira em 2020. Esteve em segundo lugar na lista “Novos Talentos da Produção Audiovisual” do Meio & Mensagem em 2023, e, previamente, em 2022, foi premiada pelo Whext na categoria Revelação. Thati trilha uma carreira na produção publicitária e já assinou a direção de filmes para marcas como Mercado Livre, Natura, Spotify, Instagram, Bradesco, entre outras. Em 2022, ganhou 4 leões em Cannes com a campanha “Black Business Beats”, da Gut SP para o Mercado Livre, que leva sua direção. Para o Women to Watch, Sabothati destaca suas apostas para o Oscar:
Thatiane Almeida, Sabothati, diretora de cena da MAGMA (Crédito: Divulgação)
“Achei que essa narrativa densa, mas também envolvente, se destacou como um thriller político refinado. A história tem uma atmosfera de tensão crescente, onde cada olhar e cada silêncio carregam significados complexos. As atuações são muito boas e exploraram fé, ambição e poder por meio de uma direção sofisticada, transformando um drama de bastidores em uma grande experiência cinematográfica.”
Melhor Filme Internacional: Ainda Estou Aqui
“Minha aposta neste filme vai além de uma simples declaração de amor ao cinema nacional; é um reconhecimento de sua obra-prima, que se destaca pela excelência em todos os aspectos. Ao emocionar o mundo com uma história profundamente enraizada em um contexto histórico e político tão brasileiro, “Ainda Estou Aqui” demonstra como, por meio de sensibilidade e rigor estético, o cinema pode levar nossas histórias a ressoar globalmente, mostrando que elas merecem ser ouvidas e compartilhadas por todos.”
“Domingo brilha com uma performance magnética, trazendo carisma e profundidade a um personagem marcado pela resiliência. Ele foge de caricaturas e constrói um protagonista com humanidade e intensidade comoventes. Seria muito feliz e representativo ver um ator negro vencer esse prêmio.”
“A nossa vencedora tem uma atuação profundamente emocional, equilibrando dor e resiliência com uma verdade rara. Cada olhar e cada silêncio contam uma história, tornando sua performance um momento de redenção e reconhecimento para o cinema brasileiro. Ela tem a chance de fazer jus à trajetória de sua mãe, Fernanda Montenegro, e trazer para o Brasil uma conquista que todos esperamos há décadas.”
Melhor Direção: Brady Corbet (O Brutalista)
“Corbet entregou uma direção precisa e estética imponente. O controle do ritmo, da mise-en-scène e da atmosfera transforma o filme em uma obra sofisticada, evocando mestres do cinema sem perder sua identidade autoral. O diretor foi ousado e corajoso.”
Estela Renner é uma diretora de cinema, roteirista, produtora e co-fundadora do estúdio de impacto social e ambiental Maria Farinha Filmes. Com mais de 40 filmes produzidos, ela criou, roteirizou e dirigiu a série ficcional Aruanas, dirigiu e roteirizou documentários como Muito Além do Peso e O Começo da Vida. Atualmente, escreve junto a Marcos Nisti a série de ficção internacional Esperanza, trazendo a temática da justiça climática. A Maria Farinha Filmes tem o certificado B Corp e, em 2024, a empresa expandiu internacionalmente como MFF & CO. Para o Oscar 2025, Estela aponta quem são seus favoritos.
Estela Renner, chief creative office da Maria Farinha Filmes (Crédito: Divulgação)
“Com uma abordagem contemporânea e realista, Anora tem uma rara combinação de narrativa envolvente e reconhecimento crítico. A atuação de Mikey Madison, amplamente aclamada, adiciona profundidade e autenticidade à protagonista, enquanto a direção precisa de Sean Baker entrega uma execução técnica impecável. Achei a construção dos personagens muito interessante, e o elenco está brilhante. O filme já consolidou sua força na temporada de premiações ao levar a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2024, além dos prêmios dos sindicatos de produtores (PGA) e diretores (DGA). Com esse histórico, as chances de levar o Oscar de Melhor Filme me parecem bem promissoras.”
“De novo, vou tentar escapar da torcida… Acho que a combinação de uma história universal sobre resiliência e direitos humanos, performances poderosas e reconhecimento crítico internacional posiciona Ainda Estou Aqui como o melhor candidato ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Os prêmios de Melhor Roteiro no Festival de Veneza, o Globo de Ouro de Melhor Atriz para Fernanda Torres e as três indicações ao Oscar mostram que o filme foi amplamente reconhecido e já fez história, mas vai ser incrível trazer a estatueta pra casa.”
“O personagem László Tóth, um arquiteto húngaro e judeu que sobrevive ao Holocausto e busca reconstruir sua vida nos Estados Unidos pós-Segunda Guerra Mundial, cativa o espectador do primeiro ao último dos 215 minutos de filme. Adrien Brody entrega uma performance excepcional, traduzindo com maestria as emoções complexas de um homem marcado pelo passado, mas movido por ambição e resiliência. Sua capacidade de equilibrar talento, força e vulnerabilidade torna sua atuação inesquecível e faz dele o meu ator favorito para o Oscar deste ano.”
“É difícil não se orgulhar da presença do Brasil no Oscar desse ano. Uma presença muito merecida. Deixando o coração ao lado, fiquei muito impressionada com a capacidade da Fernanda Torres de transmitir emoções tão complexas de maneira sutil e poderosa. Ela trouxe profundidade e autenticidade à personagem Eunice Paiva.
Além disso, a atuação dela foi super elogiada pela crítica internacional, com o The Guardian destacando sua ‘máscara maternal estoica’ e o The New Yorker reconhecendo sua ‘contenção expressiva’. O Globo de Ouro de Melhor Atriz faz minhas esperanças em levar o Oscar aumentarem ainda mais.”
“Achei a abordagem da Coralie Fargeat no terror corporal ousada e inovadora. Em A Substância, ela constrói uma narrativa provocativa que questiona os padrões de beleza e a obsessão pela juventude, temas que renderam a ela o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes 2024. Com uma estética visual impactante e performances intensas de Demi Moore e Margaret Qualley, Fargeat expõe as pressões estéticas enfrentadas pelas mulheres de forma visceral e perturbadora. Sua capacidade de unir horror extremo e crítica social coloca o filme como um dos grandes destaques do ano, e minha aposta é que ela ganhe o Oscar de Melhor Direção.”
Fernanda Rocha Catania, mais conhecida como Foquinha, é um dos principais nomes da internet quando o assunto é cultura pop. Já passou pelas revistas Rolling Stone e Capricho e, desde 2015, produz conteúdo em seu canal de YouTube e redes sociais. A apresentadora também soma parcerias com Netflix, Multishow e Globoplay. Atualmente, Foquinha apresenta o Foquinha Entrevista, ao vivo, e o podcast “Donos da Razão”, ao lado do namorado, André Brandt, na grade da DiaTV e em seu canal oficial. Em seu YouTube, conta com mais de 2 milhões de inscritos e vídeos semanais.
Foquinha, influenciadora digital (Crédito: Vinícius Costa)
Melhor Filme: Anora
“Gostaria que Ainda Estou Aqui ganhasse? Gostaria. É a aposta do meu coração! Mas esse é um dos anos mais difíceis de prever qual filme vai levar essa categoria. Acredito que está entre Conclave, O Brutalista e Anora. E eu vou apostar no favorito do momento, Anora. É um filme cheio de camadas e com uma mensagem poderosa e importante. Mas adoraria que Ainda Estou Aqui ou A Substância levassem!”
Melhor Ator: Timothée Chalamet (Um Completo Desconhecido)
“Minha aposta é em Timothée Chalamet, por Um Completo Desconhecido. A aposta mais segura seria Adrien Brody, mas o trabalho de Timothée está espetacular como Bob Dylan. Ele passou cerca de cinco anos se preparando para o papel e todo esse esforço é notável ao assisti-lo em cena. É impressionante todas as semelhanças com um dos artistas mais icônicos da música – até a maneira de segurar o cigarro, a voz, o jeito misterioso, tudo! Sem contar que interpretações biográficas costumam agradar a Academia. Eu vou apostar na surpresa.”
Melhor Atriz: Fernanda Torres (Ainda Estou Aqui)
“Categoria difícil, são muitas boas apostas. Com certeza, está entre Demi Moore, Mikey Madison e Fernanda Torres e eu vou apostar na nossa joia brasileira. Fernanda entrega um trabalho como nenhuma outra concorrente. Ela emociona apenas com um olhar e a força dessa personagem é grandiosa. Além disso, o buzz em torno de seu nome e toda a campanha de Ainda Estou Aqui podem dar uma força extra. Vai, Brasil!”
Melhor Direção: Sean Baker (Anora)
“Seguindo a minha aposta de Melhor Filme, vou apostar em Sean Baker em Direção. A maneira como ele explora cada personagem e cada história, com seu ritmo, e com seus ângulos e contrastes ousados, é digno de Oscar. No meu coração, adoraria que a diretora francesa Coralie Fargeat levasse por A Substância.”
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