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De 7 a 15 de março de 2025 I Austin - EUA
SXSW

A creator economy no momento de virada

IA e Humanidade e Intenção vs Atenção são os dois grandes temas que orientam a discussão sobre o futuro do mercado de influência


9 de março de 2025 - 18h05

Pelo segundo ano consecutivo, o SXSW apresenta uma programação sobre a creator economy, com mais de 60 sessões oferecendo insights valiosos para todos, desde influenciadores estabelecidos até marcas que buscam estreitar parcerias com criadores.

É só o segundo dia de festival e já deu pra entender que dois grandes temas estão na boca de todos que buscam decodificar o futuro da creator economy: Inteligência Artificial e Humanidade; e Intenção versus Atenção e Geração de Valor.

Inteligência Artificial e Humanidade:

Na sessão “The Past, Present and Weird Future of the Creator Economy”, Jim Louderback ofereceu uma visão abrangente de como a economia dos criadores evoluiu de território experimental para componente essencial das estratégias de mídia e marketing, além de quais são as tendências mais doidas (e possíveis) para os próximos anos.

Dentre tantas, e de óbvio interesse de todos, é a questão da IA x a criatividade humana. Não é novidade para ninguém que o que faz a creator economy ser tão impactante e eficaz é a autenticidade do conteúdo produzido pelos milhões de creators humanos para servir suas comunidades e audiências. Mas, na medida em que a IA possibilita otimização de processos, escala, diminuição de custos e de tempo, e emula a realidade, como saber se o que estamos consumindo está sendo ofertado por um robozinho ou por um outro ser humano? Como saber se o que está acontecendo é um diálogo entre duas pessoas ou uma versão sintética de relações reais?

Dentre tantas provocações, a saída apontada por Jim é a de sempre mostrar a falha humana. Escrever com typos, ter algo de tosco e não acabado na maneira como o conteúdo é produzido, ser intencional no erro. São o erro e a vulnerabilidade que ajudarão um humano a identificar outro. Lembrem-se dos replicantes de Blade Runner. O que os tornava reconhecidos era o que nos faz ser empáticos: as micro expressões, os suores frios, as pupilas dilatadas. Se isso se torna uma medida de corte entre a máquina e nós, podemos esperar cada vez mais uma creator economy que crescentemente abraçará a autenticidade e aquilo que nos torna tão indiscutivelmente falhos.

Intenção versus Atenção:

Todo ano surgem no SXSW jargões e expressões que popularão as conversas de bar e salas de reunião (pelo menos até Cannes chegar). Esse ano ouvi uma em quase todas as palestras que assisti: ‘Intenção versus Atenção’. Bonito né? Bom, isso significa que ao passo que a creator economy evolui, há uma clareza na necessidade de aprofundamento mais que alargamento. Explico: na creator economy, intenção e atenção são conceitos fundamentais, mas frequentemente confundidos.

“Intenção” é a estratégia bem definida de um criador para produzir conteúdo alinhado às necessidades e interesses de seu público, entregando valor real e construindo conexão. Já “atenção” refere-se à capacidade de capturar olhares e engajamento, muitas vezes por meio de táticas rápidas e efêmeras, sem necessariamente gerar impacto profundo. No ambiente digital, onde a disputa por atenção é feroz, criadores e marcas que priorizam intenção constroem comunidades leais e sustentáveis, enquanto aqueles focados apenas em atenção correm o risco de se tornarem ruídos em meio ao excesso de informação.

E não pára por aí. Na medida em que construção e fomento de comunidades se torna essencial para a creator economy, os creators e as marcas intencionais têm na criação de valor algo central nas suas interações. Ou seja, diferente da economia da atenção, onde o objetivo é maximizar o engajamento, a economia da intenção prioriza interações significativas, garantindo que ambas as partes obtenham benefícios concretos dessas trocas. Algo que já pode ser identificado majoritariamente, em criadores e páginas que despontam como o início de uma transição que redefinirá nossos comportamentos online.

Os usuários não serão mais incentivados a rolar infinitamente pelos feeds ou a clicar em manchetes sensacionalistas. Em vez disso, buscarão conteúdos e plataformas alinhados às suas intenções pessoais, profissionais ou ideológicas. O consumo passivo dá lugar a uma exploração ativa, onde os usuários deixam de ser apenas espectadores e se tornam participantes ativos de um ecossistema digital com propósito.

Em essência, a economia da intenção desenha um futuro onde nossas ações online têm peso e significado, promovendo uma experiência digital mais engajada, intencional e valiosa.
No mundo cada vez mais robotizado e com overflow de conteúdo, é na intencionalidade que vamos encontrar nossa humanidade e repactuar nosso propósito.

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