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SXSW

Como os fandoms estão redefinindo a creator economy e dominando os negócios

Estratégias tradicionais de comunicação estão sendo substituídas por uma abordagem mais participativa e baseada em comunidade, onde as marcas não devem apenas falar para os consumidores, mas interagir com eles


11 de março de 2025 - 11h25

Por décadas, as marcas dependeram da mídia de massa para alcançar consumidores, criando mensagens amplas para atingir o maior número possível de pessoas. Mas, na era da Creator Economy, a influência não vem apenas do alcance—ela surge de conexões profundas e autênticas. No centro dessa mudança está a ascensão dos fandoms—comunidades altamente engajadas e apaixonadas que se reúnem em torno de criadores, de seu conteúdo e, cada vez mais, das marcas que eles apoiam.

Essa transformação tem implicações profundas para o marketing e a publicidade. Estratégias tradicionais de comunicação estão sendo substituídas por uma abordagem mais participativa e baseada em comunidade, onde as marcas não devem apenas falar para os consumidores, mas interagir com eles. E aquelas que dominam a arte de se integrar a esses fandoms não estão apenas conquistando atenção, mas construindo lealdade duradoura.

As palestras de hoje, “State of Create”, da Patreon, e “How Creators Can DiversifyRevenue by Going D2C”, da Smoshx Kiswe, destacaram um ponto fundamental: o futuro da Creator Economy pertence aos criadores que sabem construir e engajar suas comunidades de forma consistente e autêntica.

A pesquisa realizada pela Patreon (https://stateofcreate.co/) nos mostra números que comprovam esse movimento: 81% dos criadores desejam um canal de comunicação direto com seus fãs, enquanto 86% dos fãs têm interesse em comunidades dedicadas e 80% estão dispostos a apoiar financeiramente seus criadores favoritos. Além disso, a pesquisa mostra um crescimento de receitas diretas: nos últimos cinco anos, houve um aumento de 67% nas receitas de assinaturas e um crescimento de 29% nas vendas diretas.

A Creator Economy prospera em torno de nichos, onde os fãs não apenas consomem conteúdo passivamente—eles o moldam ativamente. Plataformas como YouTube, Twitch, TikTok e Discord permitem que os criadores cultivem seguidores leais que se assemelham mais a coletivos unidos do que a audiências convencionais. Esses são espaços onde o engajamento é pessoal, bidirecional e impulsionado por uma paixão compartilhada.

Diferente do consumo tradicional de mídia, onde as marcas se inserem por meio de anúncios, o marketing impulsionado por fandoms exige que as marcas participem de maneira mais orgânica. O objetivo não é interromper a experiência, mas enriquecê-la. As marcas de sucesso entendem que não estão apenas falando com consumidores—elas estão entrando em um ecossistema vibrante e autossustentável, com sua própria cultura, linguagem e valores.

O que isso significa para o marketing e a publicidade

A ascensão dos fandoms está forçando as marcas a repensar suas estratégias:

1. Do alcance em massa à autenticidade de nicho

Na Creator Economy, confiança supera alcance. Um microinfluenciador com 50.000 seguidores engajados pode gerar um impacto mais significativo do que uma celebridade com milhões de fãs passivos. As marcas devem se alinhar a criadores cujos valores e estética ressoem autenticamente junto as suas comunidades.

2. Da mensagem unilateral à narrativa interativa

Os consumidores não querem mais ser receptores passivos da venda—eles querem co-criar essa experiência. O marketing precisa se tornar participativo, convidando os fãs a fazerem parte da história. Isso pode acontecer por meio de transmissões ao vivo interativas, desafios com conteúdo gerado pelo usuário ou lançamentos de edições limitadas criadas com a ajuda da comunidade.

O crescimento do streaming D2C (Direct-to-Consumer) é um reflexo dessa mudança. Criadores agora lançam suas próprias plataformas para entregar conteúdo exclusivo, sem depender de algoritmos das redes sociais. Para as marcas, integrar-se a esses ecossistemas—com experiências co-branded ou live commerce—abre novos caminhos para o engajamento e a monetização.

3. Dos anúncios passivos às experiências de marca integradas

O modelo de publicidade baseado em interrupção está desaparecendo. Em vez disso, as marcas estão se inserindo de maneira natural na dinâmica entre criadores e fãs. Isso pode incluir: ativações dentro de jogos, como eventos patrocinados em transmissões de eSports; colaborações de produtos co-branded, como os chocolates Feastables do MrBeast ou o Prime Hydration de Logan Paul; e patrocínios interativos, que fazem parte do conteúdo em vez de pausá-lo para exibição de anúncios.

Quando bem executadas, essas parcerias tornam-se extensões da experiência dos fãs, em vez de distrações.

4. De campanhas de curto prazo à construção de comunidades a longo prazo

As marcas mais bem-sucedidas na Creator Economy não estão apenas lançando campanhas—elas estão construindo comunidades. Isso exige investimento contínuo, mantendo o envolvimento com os fandoms para além de uma única ação promocional.

A LEGO, por exemplo, criou um ecossistema em torno de conteúdo gerado pelos fãs, transformando criações amadoras em produtos oficiais. Da mesma forma, a Epic Games (Fortnite) aposta fortemente no envolvimento da comunidade, garantindo que seus jogadores se sintam parte ativa do universo do jogo.

À medida que avançamos na era da Creator Economy, os fandoms deixaram de ser apenas subculturas e se tornaram a força motriz do engajamento do consumidor. As marcas que reconhecem essa mudança e se adaptam rapidamente não apenas ganharão visibilidade, mas também lealdade.

O desafio é claro: as marcas precisam parar de falar para as audiências e começar a colaborar com as comunidades. Aqueles que enxergarem os fandoms não como espectadores passivos, mas como parceiros ativos, prosperarão na próxima fase do marketing.

Em um mundo onde autenticidade, paixão e participação são mais importantes do que nunca, a verdadeira questão não é se as marcas devem se envolver com os fandoms—mas sim, o quão rápido elas podem começar.

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