14 de março de 2025 - 12h23
Assim como os mais de 340 mil participantes do SXSW em 2025 – sendo online ou presencialmente – que puderam se beneficiar das apresentações, discussões, exposição de conteúdos e perspectivas para o futuro, encerro esta edição com o sentimento de talvez ter visto a mais vibrante convergência entre os temas humanos e tecnológicos.
Dentre as diferentes “tracks”, palestras e apresentações, quis escrever um pouco sobre as reflexões propostas pelo Rohit Bhargava (autor e fundador da consultoria de tendências e inovação Non-Obvious), onde ele fala dos estudos recentes desenvolvidos e propõe formas sobre como ‘o entendimento do comportamento humano é a principal chave para se prever o futuro’, dando sequência à proposta metodológica de ‘pensamento não-óbvio’.
Um dos pontos mais interessantes, para mim, foi a correlação entre comportamentos quase instintivos de nós humanos e seu efeito em “cadeia”. O contexto onde estamos inseridos influencia diretamente o comportamento. O simples ato de bocejar, por exemplo, pode ilustrar o impacto que nós pessoas temos umas nas outras. Alguém, certamente, irá sentir a necessidade, quando ver outra bocejando, de fazer o mesmo – “até cachorros bocejam quando nos vêem fazê-lo”, brincou Bhargava. O que acontece, então, quando pessoas estão inseridas em um contexto de incertezas, agressividade ou polaridade? É natural que o ser humano reflita no outro o contexto onde está inserido.
Percebemos isso em marcas que se tornaram “love-brands” por refletirem sentimentos de credibilidade, valor, respeito e qualidade, transmitidos pela relação com o consumidor, mas também de consumidor para consumidor, quanto inseridos em um contexto que permita essa troca.
A discussão apresenta a infinidade de variáveis e contextos que permeiam os consumidores atualmente e, por via dessa diversidade de contextos (e sentimentos) onde estão inseridos, tende a reforçar mais uma vez que os modelos de arquétipos são ultrapassados, por não refletirem a diversidade das relações humanas ou a necessidade da individualização esperada da relação entre “humanos” e “marcas”.
Acredito que esse ponto nos convida a pensar sobre o que realmente importa para nossos consumidores – “no contexto onde estão inseridos, socialmente e culturalmente”. Esse processo também convida as marcas a “des-descobrir” essa relação com as pessoas, quebrando as certezas e permitindo construir novas lentes sobre o comportamento-em-contexto. E, por via da análise contextual, construir experiências mais significativas, próximas e inseridas no universo e jornada de seus consumidores.
Rohit, também, comentou sobre uma história pessoal, onde apresentou um jovem empreendedor para um círculo de seasoned empresários em um evento e usou desse exemplo para ressaltar como conexões genuínas levam à melhores resultados e reconhecimento mais satisfatório. Ao inserir um indivíduo que genuinamente dividia as mesmas percepções, e que através de sua “curiosidade” se permitiu aprender e entender ainda mais sobre a jornada de seus pares, obteve maior sucesso.
Pessoalmente, gosto muito de uma expressão que diz “Fácil é encontrar pessoas interessantes, difícil é encontrar pessoas interessadas” – e isso ressoa muito comigo, no que diz respeito à curiosidade em entender (e aprender) com maior profundidade sobre as pessoas com que nos relacionamos. Para marcas não é diferente.
Esse mesmo traço fez parte da trajetória de Bhargava que, pela reflexão sobre essas relações e fatores que genuinamente criam valor ou impactam as pessoas, pode ajudar a mapear tendências e prever mudanças refletidas no mundo. Pelo fato que, essa relação é o que acelera e manifesta as mudanças que vemos em nossa sociedade – infelizmente, servindo para o bem, como para o mal –, mas que, através dessa construção e reflexão, gera maior proximidade e maior valor percebido da marca por seus consumidores.
“People who understand people always win”, para mim, é o reforço da mensagem de que as Marcas que genuinamente se relacionam com seus Consumidores sempre crescem.