IA no SXSW
Como a IA está transformando a experiência do usuário e criando novos desafios para as marcas
Como a IA está transformando a experiência do usuário e criando novos desafios para as marcas
12 de março de 2025 - 11h00
Durante o SXSW 2025, Cristiano Amon, presidente e CEO da Qualcomm, reforçou uma visão que pode redefinir a forma como interagimos com a tecnologia: a IA está se tornando a interface definitiva entre humanos e máquinas, substituindo telas, ícones e até mesmo os próprios aplicativos.
Segundo ele, a Qualcomm, que já revolucionou a indústria ao integrar câmera, música e internet nos celulares, agora aposta na inteligência embarcada. Ou seja, em vez de depender de processamento remoto em data centers, a IA funcionará diretamente nos dispositivos – trazendo mais privacidade, rapidez e eficiência energética.
O impacto? Smartphones, PCs, carros e até óculos inteligentes equipados com IA poderão responder a comandos naturais, entender o contexto do usuário e agir de maneira proativa.
– Você tira fotos em uma viagem e seu agente de IA automaticamente organiza o álbum com os melhores momentos.
– Vê um sofá interessante em um hotel e a IA registra a referência, pesquisa preços e sugere ajustes no orçamento.
– Dirigindo, você pergunta: “Por que essa luz do painel está acesa?” e o carro responde instantaneamente.
Essas interações marcam o início do que Amon chamou de computação centrada no humano, onde a tecnologia se adapta ao usuário – e não o contrário.
A tecnologia sempre evoluiu para tornar nossas vidas mais fáceis, mas poucas inovações prometem ser tão transformadoras quanto os agentes de inteligência artificial. Esses assistentes hiperinteligentes estão prestes a redefinir a forma como interagimos com o digital – e, ao mesmo tempo, criar um novo campo de batalha para marcas e empresas que disputam a atenção e a lealdade dos consumidores.
Se até agora nosso contato com a tecnologia era mediado por apps, sites e mecanismos de busca, em breve, a IA assumirá esse papel. Em vez de pesquisar passagens aéreas, comparar preços de produtos ou escolher um restaurante pelo Google, pediremos ao nosso agente pessoal para fazer isso por nós – e ele tomará as decisões com base em nossas preferências, hábitos e histórico de consumo. O resultado? Uma experiência fluida, eficiente e personalizada.
Mas para as marcas, um desafio monumental: como se destacar em um mundo onde a escolha do consumidor não é mais direta, mas filtrada por uma IA?
Os aplicativos se tornaram a principal porta de entrada para serviços digitais. No entanto, se um agente de IA pode realizar múltiplas tarefas sem que o usuário precise abrir diferentes apps, para que servem os ícones na tela do celular?
Imagine pedir comida sem abrir o iFood ou Uber Eats, reservar um hotel sem acessar o Booking ou comprar um produto sem entrar no site da Amazon. Em vez de navegar entre apps, o usuário simplesmente dirá: “Quero um sushi bom perto de casa.”,; “Preciso de um tênis de corrida confortável.” E o agente de IA fará o resto. Isso reduz drasticamente o poder de retenção dos aplicativos, que dependem da recorrência dos usuários para monetizar seus serviços. A fidelidade passará a ser do assistente de IA, e não mais das plataformas.
Com essa mudança iminente, as empresas precisarão repensar suas estratégias para se manterem relevantes. Alguns desafios já começam a se desenhar:
1. SEO para IA: como aparecer no radar dos assistentes inteligentes
Assim como hoje existe uma corrida para otimizar conteúdos e aparecer nos primeiros resultados do Google, haverá uma disputa para entender como os agentes de IA recomendam produtos e serviços.
As marcas precisarão alimentar esses sistemas com dados de qualidade, avaliações positivas e diferenciais competitivos, garantindo que suas ofertas sejam priorizadas. O boca a boca digital – na forma de reviews e credibilidade – será ainda mais valioso.
2. Relacionamento direto com o consumidor: mais importante do que nunca
Se antes as marcas investiam em branding para criar conexão emocional, agora precisarão ir além. Construir relacionamentos diretos e personalizados com os consumidores será essencial para não depender exclusivamente das decisões dos agentes de IA.
Programas de fidelidade, recomendações personalizadas e um atendimento impecável serão os novos pilares da lealdade.
3. Inteligência de dados: a nova moeda de troca
Quanto mais uma empresa conhecer seus clientes, maior será sua capacidade de alimentar modelos de IA personalizados que reforcem sua relevância. Isso significa um salto na importância de dados de primeira mão, coletados diretamente da interação com os consumidores.
Empresas que dominarem esse ativo estarão à frente, criando experiências altamente personalizadas e garantindo que seus produtos e serviços estejam sempre no topo das recomendações.
A ascensão dos agentes de IA trará ganhos imensos para os consumidores, que terão um mundo digital mais intuitivo e eficiente. No entanto, para as marcas, essa mudança representa um novo jogo, com regras ainda sendo escritas.
A boa notícia? Empresas que entenderem essa transformação desde agora poderão se posicionar como parceiras desses novos agentes inteligentes. Isso significa investir em transparência, qualidade e uma estratégia centrada no consumidor real, e não apenas em algoritmos de recomendação.
No final, a pergunta que toda marca precisa se fazer é simples: seu consumidor confiaria em seu agente de IA para recomendá-la? Se a resposta for “sim”, o futuro pode ser promissor. Se for “não”, é melhor começar a se adaptar – e rápido.
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