Longevidade e Saúde: O que realmente importa?
Palestra de Peter Attia, médico renomado e autor do best-seller Outlive, traz inspiradores insights sobre a verdadeira essência da longevidade, que é a capacidade de manter uma vida ativa e independente
Palestra de Peter Attia, médico renomado e autor do best-seller Outlive, traz inspiradores insights sobre a verdadeira essência da longevidade, que é a capacidade de manter uma vida ativa e independente
9 de março de 2025 - 11h40
Outro dia, vi um senhor no parque tentando amarrar os sapatos. Ele tentava, tentava, mas não conseguia se abaixar o suficiente. No fim, precisou pedir ajuda. Fiquei pensando: o que define uma boa velhice? Não é só sobre viver mais tempo, mas sobre continuar fazendo as pequenas coisas do dia a dia sem depender de ninguém.
É exatamente isso que o Dr. Peter Attia, médico renomado e autor do best-seller Outlive, defende. Para ele, longevidade não é apenas a soma dos anos vividos, mas a capacidade de manter uma vida ativa e independente. Afinal, de que adianta alcançar os 90 se você passa boa parte desse tempo limitado, sem energia ou autonomia?
Attia diferencia dois conceitos que muitas vezes se confundem: lifespan (duração da vida) e healthspan (qualidade de vida). O primeiro é simplesmente o número de anos que você vive. O segundo, a capacidade de aproveitar esses anos de forma plena.
E, segundo ele, o problema da medicina tradicional (Medicina 2.0) é justamente focar apenas no tratamento de doenças depois que elas aparecem, em vez de prevenir o declínio antes que ele aconteça.
Uma das reflexões mais impactantes de Attia vem de uma experiência pessoal. Ele conta que foi ao funeral do pai de um grande amigo e descobriu que, nos últimos dez anos de vida, aquele senhor já não fazia mais as coisas que amava. Parou de jogar golfe, deixou de cuidar do jardim. O corpo simplesmente não acompanhou a vontade.
Foi aí que ele percebeu: o problema não é a morte, mas o tempo que passamos sem viver de verdade antes dela. Essa fase final, muitas vezes marcada por limitações físicas, é o que ele chama de Marginal Decade – os últimos dez anos de vida, que podem ser vividos com vitalidade ou em sofrimento.
A boa notícia? Há um jeito de mudar esse destino.
Em vez de esperar a decadência chegar, Attia propõe um conceito ousado: treinar para a velhice como um atleta treina para uma competição. Ele chama isso de Decatlo dos Centenários.
A ideia é simples: liste 10 atividades que você quer continuar fazendo quando estiver com 80, 90 ou até 100 anos. Pode ser carregar as compras sozinho, brincar no chão com os netos, subir escadas sem apoio, pedalar, nadar, dançar… O que for essencial para a sua felicidade.
Depois, treine para isso. De forma específica, planejada. Assim como um atleta foca nos movimentos certos para sua modalidade, quem quer envelhecer bem precisa fortalecer o corpo agora para garantir sua independência no futuro.
Muita gente busca suplementos milagrosos, dietas da moda e até remédios experimentais para viver mais. Mas Attia é categórico: nada supera o exercício físico.
Se tivéssemos que apostar em um único fator para aumentar nosso healthspan, seria manter o corpo ativo. Estudos mostram que o segredo para “adiar” a Marginal Decade é simples: continuar se movimentando. Subir escadas, carregar peso, treinar equilíbrio – tudo isso faz diferença.
Talvez o segredo não seja adicionar anos à vida, e sim garantir que cada um deles valha a pena. E isso não se resolve de uma hora para outra. Quem espera os problemas aparecerem para agir pode acabar perdendo justamente aquilo que faz a vida valer a pena.
Então, que tal começar agora?
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