Não é sobre competir, mas sobre se reinventar
Aos 50+, o desafio não é disputar espaço com as novas gerações, mas, sim, ressignificar seu papel no mercado e se manter relevante em um mundo em constante transformação
Aos 50+, o desafio não é disputar espaço com as novas gerações, mas, sim, ressignificar seu papel no mercado e se manter relevante em um mundo em constante transformação
17 de março de 2025 - 13h23
O SXSW 2025 me surpreendeu. A quantidade de pessoas 50+ participando do evento e o quanto esse tema emergiu nos painéis chamaram minha atenção, e, sem dúvidas, atiçou o meu desejo por mais conteúdos direcionados a esse público. Isso me fez refletir sobre a longevidade e como, apesar de discutirmos negócios e inovação, ainda falamos pouco sobre o papel dos profissionais com mais de 50 anos nesse cenário em transformação.
As palestras da AARP me chamaram a atenção por estarem mais preparadas para abordar a realidade dos aposentados nos Estados Unidos. No entanto, a discussão vai além: não se trata apenas de aposentadoria, mas, sim, de um tema amplo que envolve o envelhecimento, a inclusão e, principalmente, o redesenho do papel de quem tem mais experiência no mercado de trabalho. E o SXSW trouxe essa conversa para o centro, mostrando que o evento e a cidade estão atentos a essa mudança.
Hoje, os Millennials estão no comando. A geração que cresceu acompanhando a transformação digital já começa a se aproximar dos 50 anos, e novos profissionais dessa geração assumem posições estratégicas, com competência e capacidade impressionantes. Não há dúvidas de que o mercado evoluiu e que essas novas lideranças estão bem preparadas para conduzir esse futuro.
O que me preocupa, no entanto, é a maneira como muitos profissionais 50+ encaram essa mudança. Vejo muita gente reclamando da perda de protagonismo, lamentando que não está mais em posições de comando e não é mais considerada para as mesmas funções que ocupava antes. Mas a realidade é que não podemos exigir que as coisas permaneçam como eram. O mundo mudou, os negócios mudaram, as demandas mudaram – e nós, com mais de 50, precisamos entender o nosso novo papel dentro desse contexto.
A grande lição que levo deste SXSW é que a questão central para os 50+ não é lutar por posições que agora pertencem a uma nova geração, mas repensar nosso espaço no mercado. Quais novas habilidades devemos desenvolver? Quais novas disciplinas precisamos aprender? Como podemos contribuir de forma relevante? Há um espaço importante para a experiência e para o conhecimento acumulado, mas ele precisa ser ressignificado.
Se somos organizados e preparados, como podemos ajudar a estruturar melhor esse ambiente de mudanças? Se temos um olhar mais apurado para a convivência e as relações humanas, qual é o nosso papel nessa nova dinâmica? Precisamos abandonar a postura de vitimização e entender que o mercado não tem obrigação de nos manter em cargos que já não fazem mais sentido dentro da nova estrutura. O desafio, então, é encontrar onde podemos agregar valor.
Um dos painéis que acompanhei ilustrou bem essa questão. Por muito tempo, profissionais experientes foram vendedores de mídia tradicional – mas a mídia tradicional já não é o protagonista absoluto. Hoje, falamos muito mais sobre redes sociais, investimentos em digital, e é essencial estar preparado para esse novo contexto. Não basta apenas ter experiência: é preciso estar disposto a aprender, se adaptar e se capacitar.
O SXSW reforçou para mim que há muitos profissionais 50+ entendendo essa necessidade e buscando se reinventar. Não dá mais para entrar nessa conversa apenas com o conhecimento adquirido ao longo dos anos; é fundamental combinar isso com uma atualização constante.
E agora, com o evento chegando ao fim, Austin começa a recuperar seu ritmo habitual. As ruas, antes tomadas por visitantes de todo o mundo, começam a esvaziar. A cidade retorna à sua rotina acadêmica e cultural. Mas, para mim, fica a certeza de que essa semana foi uma oportunidade valiosa para refletir sobre os desafios e oportunidades da longevidade no mundo do trabalho. O futuro está aí – e cabe a nós, 50+, encontrar o nosso novo lugar dentro dele.
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