O futuro da medicina está no céu
Do espaço para a terra: como a NASA está revolucionando a pesquisa do câncer
Do espaço para a terra: como a NASA está revolucionando a pesquisa do câncer
11 de março de 2025 - 16h53
Em 2024, quando estive no SXSW, me deparei com uma quantidade impressionante de palestras sobre avanços na saúde. Uma delas me intrigou em particular: Rebranding Cancer. A proposta era atualizar a percepção pública sobre o câncer e oferecer uma visão mais otimista sobre a cura da doença, refletindo as últimas descobertas na área, como a edição genética com CRISPR/Cas9, considerada uma técnica revolucionária de edição genética
A Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) é um grande laboratório orbital que circula a Terra a aproximadamente 400 km de altitude. Resultado de uma colaboração entre diversas agências espaciais, como a NASA (EUA), seu ambiente de microgravidade oferece condições especiais para a pesquisa, permitindo estudos impossíveis de serem realizados na Terra. Para mim, essa é uma das principais importâncias de desbravarmos a vida fora do planeta. Sem a influência da gravidade, processos biológicos acontecem de maneira diferente, permitindo novas descobertas. Na pesquisa sobre o câncer, essa característica se mostra especialmente importante.
No SXSW 2025, a palestra “NASA and the Next Frontier in the Battle Against Cancer” me mostrou isso de forma ainda mais concreta. Um painel com líderes em pesquisas biomédicas e exploração espacial, representando instituições como NASA, Axiom Space, UC San Diego Health e CASIS, discutiu como a microgravidade, as células-tronco e a inovação em saúde estão transformando a medicina. Uma das principais descobertas apresentadas foi que, em ambiente de microgravidade, as células cancerígenas têm dificuldade para se dividir e crescer. Isso possibilita aos cientistas estudá-las em um estágio mais inicial e entender melhor seus mecanismos de desenvolvimento.
A pesquisa espacial tem impactado especialmente o estudo do câncer de mama. Cientistas estão explorando formas de induzir as células cancerosas a um estado “dormente”, impedindo sua proliferação e tornando-as mais vulneráveis a tratamentos. Em alguns experimentos, foi possível desacelerar significativamente a divisão celular, um passo importante para o desenvolvimento de novas terapias.
Além disso, drogas formuladas no espaço demonstraram maior eficácia no combate ao câncer. O ambiente de microgravidade permite que cientistas testem novos medicamentos de maneira mais rápida e precisa, o que tem levado a uma aceleração no desenvolvimento de tratamentos. Algumas dessas drogas já foram aprovadas pelo FDA (agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA) e podem chegar ao mercado em um futuro próximo. Essa é uma ótima notícia, pois a aprovação de novas drogas e tratamentos é um processo rigoroso e demorado.
Para mim, o futuro da medicina está no espaço. A pesquisa médica na ISS não para por aqui. A próxima geração de estações espaciais privadas promete ampliar ainda mais as possibilidades. Empresas, cientistas e instituições acadêmicas estão trabalhando em conjunto para tornar viável a produção de medicamentos e terapias em larga escala no espaço.
A colaboração entre NASA, empresas farmacêuticas e instituições de pesquisa cria um ecossistema inovador, onde a próxima grande descoberta pode acontecer a centenas de quilômetros de altura, mas com um impacto direto na vida de milhões de pessoas aqui na Terra.
O que está sendo desenvolvido fora do planeta não é apenas uma curiosidade científica – é o futuro da medicina. A próxima revolução no tratamento do câncer pode vir de um lugar onde a gravidade não existe, mas onde a esperança por cura nunca foi tão real.
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