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De 7 a 15 de março de 2025 I Austin - EUA
SXSW

Qual a sua dose diária de incerteza?

Em um mundo corporativo categorizado por rápidas mudanças e imprevisibilidade, a habilidade de navegar pela dúvida é crucial para a sobrevivência e prosperidade das organizações


14 de março de 2025 - 16h54

Vivemos em um mundo cada vez mais incerto, e a nossa civilização está mudando de uma maneira tão rápida que, mesmo os futurologistas e estudiosos, como Amy Webb e Scott Galloway, estão com dificuldade de projetar que futuro nos espera. Essas mudanças ocorrem não apenas no que tange à tecnologia, mas também no comportamento das pessoas. Há semanas que parecem conter décadas de acontecimentos.
A incerteza é categorizada em aleatória (imprevisibilidade) e psicológica (resposta humana ao desconhecido) e é frequentemente vista como um problema a ser evitado. Mas e se fosse, na verdade, um motor para a excelência e a colaboração? Em um mundo corporativo categorizado por rápidas mudanças e imprevisibilidade, a habilidade de navegar pela dúvida é crucial para a sobrevivência e prosperidade das organizações.
A frase “a incerteza é o conhecimento em movimento” foi utilizada por Maggie Jackson, conhecida por seu livro Uncertain: The Wisdom and Wonder of Being Unsure, durante um dos painéis do SXSW. A reflexão foi um verdadeiro convite – e uma provocação – para que não deixemos de nos movimentar e buscar sair do lugar de conforto de maneira positiva. É a proposta de ir para a frente, sempre.
Conceitualmente, vemos uma tendência negativa no uso da palavra incerteza. Ela pode expressar medo, vulnerabilidade e desconhecimento. Mas isso já está mudando. A dúvida é, na verdade, a chave para inovar e buscar novas perspectivas. E como as organizações podem se beneficiar dessa versão positiva da incerteza? O segredo é investir na divergência produtiva, de modo a estimular a inovação e o pensamento crítico das pessoas. A ideia é evitar ambientes com concordância excessiva, pois existem fortes chances de sufocar a criatividade e limitar novas perspectivas.
Convide o seu time a:
  • Abraçar a incerteza e evitar fixar-se apenas em resultados.
  • Fazer as perguntas “por quê” e “e se” para desafiar suposições e expandir a compreensão. Considerar a perspectiva oposta.
  • Implementar um “ritual de escuta” nas reuniões, em que todos são incentivados a expressar o que não sabem ou entendem.
  • Promover um ambiente que abrace o desacordo produtivo e perspectivas diversas dentro das equipes.
Entender que o consenso pode ser perigoso e limitador é algo fundamental. Por isso, é preciso estimular a divergência produtiva e a geração de conflitos positivos para fortalecer a tomada de decisões e impulsionar avanços. Ambientes colaborativos eficazes não eliminam a dúvida, mas a utilizam para promover maior responsabilidade e inclusão. Acredito que a incerteza, quando bem gerenciada, é a chave para transformar a dinâmica de grupo, tornando as pessoas mais questionadoras e abertas a novas ideias.
E a comunicação eficaz desempenha um papel fundamental nesse contexto, uma vez que ajuda a alinhar equipes, construir confiança e promover adaptabilidade. Em períodos de mudanças, os líderes que mantêm uma comunicação aberta e honesta reduzem a ansiedade e aumentam a confiança das equipes.

E a IA?

No SXSW, um ponto me chamou bastante atenção e me incomodou: a ausência de discussões sobre o impacto que o Oriente está causando em todos os setores da economia, especialmente em inteligência artificial e o retrocesso de DE&I (Diversidade, Equidade e Inclusão) em várias empresas e países.
Para contextualizar, a China vem se destacando globalmente com sua estratégia ambiciosa de se tornar a líder mundial em inovação de IA até 2030. Em 2022, o valor dessa indústria central atingiu US$ 75 bilhões, com um crescimento anual de 18%. Com exceção de Scott Galloway, nenhum outro palestrante falou abertamente sobre a regressão que se tem visto em muitos países do mundo a respeito de DE&I, mesmo o CEO da Great Place to Work, Michael Buss, se esquivou de perguntas diretas sobre as mudanças adotadas pelo governo americano.
Galloway destacou a importância de abordar essas questões, especialmente em um momento em que muitos países estão retrocedendo em políticas de inclusão e equidade. Esse gap sobre temas tão relevantes no SXSW levanta preocupações sobre a direção que o evento está tomando e a necessidade de uma abordagem mais abrangente e inclusiva em futuras edições.

O futuro incerto

Será que os computadores quânticos, que estão chegando com uma grande promessa de revolução, terão a habilidade de navegar na incerteza? Não há mais certezas. E a adoção de práticas que valorizem a discordância construtiva, o uso de linguagens abertas e a experimentação de novas abordagens será algo cada vez mais importante neste cenário desafiador.
A hora é agora. Qual a sua dose de incerteza hoje?
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